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A Comissão Europeia está em um diálogo construtivo com o Brasil para resolver a suspensão das importações de carne brasileira pelo bloco, afirmou o presidente do Conselho Europeu, o português António Costa, nesta segunda-feira, 15 de junho, às margens da cúpula do G7 em Évian-les-Bains.Perguntado se seria possível esperar algum anúncio nesta terça (16/06), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode se reunir com a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, Costa evitou responder e disse que o tema cabe à Comissão — e que Von der Leyen poderia se manifestar após o encontro.A União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as exigências do bloco sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal. Esses medicamentos são usados para prevenir e tratar infecções em animais, mas a legislação europeia proíbe a utilização de determinadas substâncias para acelerar o crescimento de rebanhos ou aumentar a produtividade. O bloco também veta o uso de antibióticos usados no tratamento de infecções humanas. Quer receber notícias do PÚBLICO Brasil pelo WhatsApp? Clique aqui.O dirigente europeu reconheceu que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que entrou em vigor em 1º de maio último, representa um avanço na relação com o Brasil, mas ressaltou que "as normas sanitárias têm que ser cumpridas".Direito internacionalCosta, que também se reunirá com Lula nesta terça, fez elogios à participação brasileira no G7 e ao papel do país no G20. "O Brasil é um grande parceiro e teve uma liderança excelente do G20", disse. "Todos os grandes compromissos internacionais que temos que assegurar implicam, como dizem no Brasil, o engajamento de todos — e o Brasil obviamente não pode faltar."Costa foi questionado sobre a postura dos Estados Unidos na América Latina. Sem citar Trump pelo nome, o dirigente europeu recorreu ao argumento que a UE tem usado desde a invasão da Ucrânia para defender a consistência do direito internacional — e deixou o recado nas entrelinhas."As regras do direito internacional têm que ser cumpridas em todo lugar e respeitadas em todo lugar. A soberania, a integridade territorial, o respeito pelas fronteiras são absolutamente essenciais", destacou o português.Ele acrescentou: "É por isso que nós temos tido uma posição tão clara desde 2022 no apoio à Ucrânia. Porque quando permitimos que um membro permanente do Conselho de Segurança viole as regras básicas das Nações Unidas, estamos dando péssimas ideias a todos os outros Estados".Costa disse ainda que via "com satisfação" o fato de que países que antes não compreenderam bem a posição europeia de apoio à Ucrânia "agora percebem a importância de defender o direito internacional em qualquer circunstância".