A decisão da União Europeia de suspender, a partir de setembro, a importação de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil tem origem em uma disputa regulatória e sanitária que se arrasta há meses entre Brasília e Bruxelas. Embora o anúncio tenha provocado preocupação, o veto não foi motivado por suspeitas de contaminação ou problemas sanitários identificados na carne brasileira.

O centro da controvérsia está no uso de antimicrobianos na produção animal. Essas substâncias são empregadas para prevenir e tratar doenças em rebanhos, mas algumas delas também podem ser utilizadas para estimular o crescimento dos animais e aumentar a produtividade. Nos últimos anos, a União Europeia endureceu as regras sobre o tema sob o argumento de que o uso excessivo desses medicamentos contribui para o avanço da resistência bacteriana, considerada uma ameaça à saúde pública global.

Para continuar exportando ao mercado europeu, outros países precisam demonstrar que cumprem uma série de exigências relacionadas ao controle desses produtos. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes para comprovar que atende integralmente às regras estabelecidas pelo bloco. Por isso, o País foi retirado da lista de exportadores autorizados de carne bovina, carne de aves, carne equina, pescado, mel e tripas.