Gerando resumoBRASÍLIA - A União Europeia formalizou na sexta-feira, 5, o veto para a compra de carnes do Brasil a partir de 3 de setembro deste ano. De acordo com comunicado assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, a medida atinge bovinos, equídeos (cavalos), aves, aquicultura (peixes), mel e tripas. PUBLICIDADESegundo o documento, o Brasil não chegou a apresentar as informações que garantem que medidas sanitárias eficazes tenham sido implementadas. PublicidadeProcurado, o Ministério de Relações Exteriores (MRE) afirmou que as negociações continuam e que o governo brasileiro ainda tenta reverter a medida. Na semana passada, o ministro Mauro Vieira se reuniu com o Comissário de Comércio da UE, durante reunião ministerial da OCDE, em Paris. O Ministério da Agricultura também foi procurado pelo Estadão, mas não se manifestou. Europa suspende importação de carnes do Brasil Foto: Adobe StockSegundo o Jornal Oficial da União Europeia, o diário oficial do bloco, as informações prestadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes.“A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos no artigo 3º do Regulamento Delegado (UE) 2023/905 relativamente a estas categorias”, diz documento.“A menção relativamente a bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas deverá, por conseguinte, ser suprimida no anexo do presente regulamento”, complementa o texto.PublicidadeEntidades defendem produção do PaísA Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou, por meio de nota, que a acompanha com atenção a formalização da medida pelo bloco, mas explica que decisão não reflete um problema específico identificado no País.“É importante esclarecer que a medida não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira. O tema em discussão refere-se aos procedimentos de comprovação e reconhecimento, pela União Europeia, dos mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil, conduzidos pelas autoridades competentes”, disse.Em nota, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) Tirso Meirelles repudiou a decisão e cobrou “postura enérgica” do governo federal. “A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) manifesta publicamente seu mais veemente repúdio à decisão da União Europeia (UE) de criar barreiras à importação de carnes, mel e subprodutos de origem animal vindos do Brasil”, disse.PublicidadePUBLICIDADENa visão da entidade, a decisão vai na contramão do acordo entre o Brasil e a União Europeia e representa uma tentativa de “mudar as regras de forma casuística”.“Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional. Diante desta grave agressão comercial e reputacional, cobramos do governo federal brasileiro pulso mais firme em sua diplomacia comercial”, disse.O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, afirmou que confia nas normas sanitárias do País.“A Abipesca reafirma sua confiança no sistema brasileiro de inspeção sanitária e no trabalho conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). As respostas e medidas já foram tomadas, a entidade segue cooperando com o Governo Brasileiro no fortalecimento dos controles sanitários e na promoção da qualidade e segurança do pescado brasileiro”, afirmou.PublicidadeEm nota, após a decisão de maio, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) afirmou que o Brasil exporta carne para mais de 170 países, “sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo”. “O setor privado tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema”, disse a associação. Negociações desde maioNo final de maio, o governo brasileiro apresentou informações adicionais sobre as questões sanitárias envolvendo a exportação desses produtos. Uma reunião chegou a ser realizada entre a equipe técnica do Ministério da Agricultura e a Direção Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG Santé), apurou o Estadão.No encontro virtual, segundo interlocutores, o Brasil apresentou parte das informações adicionais exigidas pelo bloco europeu. Outra remessa de documentos e informações estava sendo preparada, mas não havia prazo para o envio. PublicidadeLeia tambémVieira diz que tarifas dos EUA desconsideram realidade do Brasil e relação precisa ser normalizadaEUA dizem que falha do Brasil é ‘injustificável’ e apontam prejuízo no mercado de carne da ChinaChina reconhece Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinaçãoAs novas garantias precisavam comprovar que o governo brasileiro era capaz de atestar que as carnes enviadas ao bloco cumprem o regulamento de antimicrobianos, lançado em 2023.As informações, de cunho sanitário, respondem a critérios já indicados em documentos anteriores enviados pela UE ao Brasil, segundo interlocutores que acompanham as tratativas. As exigências vão no sentido de o Brasil comprovar que pode assegurar que as proteínas e produtos de origem animal exportados ao bloco, sobretudo a carne bovina, não são produzidos com uso de determinados antimicrobianos.As questões envolvem a segregação da produção e que o governo assegure os protocolos privados quanto ao uso de antimicrobianos, sobretudo antibióticos promotores de crescimento. Na prática, produtores e indústria precisam assegurar que não usam os produtos especificados, e o governo, por sua vez, garantir a fiscalização quanto ao não uso e de que o setor privado cumpre as normas.Publicidade