A embaixadora da União Europeia em Brasília, a alemã Marian Schuegraf, disse à Folha em entrevista nesta terça-feira (16) que, apesar do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul, não era possível dar tratamento diferenciado ao Brasil na questão das novas restrições à importação de aço e soja anunciadas pela UE recentemente.

As restrições ao aço e à soja não são direcionadas ao Brasil, mas o país não foi isento delas. A primeira visa, segundo Schuegraf, combater "o enorme problema de excesso de produção" siderúrgica no mundo, causado principalmente pela China.

Além de cortar pela metade o volume que pode ingressar livre de tarifas —para 18,3 milhões de toneladas métricas—, o bloco elevou de 25% para 50% o imposto sobre o aço extracota. A medida entra em vigor no dia 1º de julho.

A segunda restrição tem a ver com proteções ambientais da UE, que passou a considerar o óleo de soja indiretamente responsável pelo desmatamento —o que significa que ele não pode mais ser levado em conta como fonte renovável quando usado em biocombustíveis, diminuindo sua atratividade no mercado.

Entidades especializadas preveem que a classificação também deve impactar o consumo do produto no setor de alimentos.