Agrishow: acordo com UE marca avanço comercial para o agro, diz Roberto RodriguesEx-ministro afirma que abertura de mercado é estratégica, mas terá efeitos diluídos ao longo dos próximos anos. Crédito: edição: Yago BassiGerando resumoENVIADA ESPECIAL A ÉVIAN-LES-BIENS - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira, 16, com os líderes da União Europeia Ursula von der Leyen e António Costa. No encontro, o trio definiu a criação de um canal bilateral para lidar com as barreiras europeias a produtos de proteína animal e siderurgia.PUBLICIDADE“Os três trataram de temas da agenda bilateral, em particular das medidas de restrição a produtos brasileiros adotadas recentemente pela parte europeia”, disse o Planalto em comunicado. “Definiram um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão, com vistas a identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto nos produtos siderúrgicos.”Ainda de acordo com o Itamaraty, o mecanismo tem como objetivo buscar soluções que contemplem as preocupações europeias bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil.António Costa se reuniu com Lula e com Ursula von der Leyen nesta terça-feira, 16 Foto: Ludovic Marin/AFPFuncionários do governo brasileiro explicaram que o mecanismo não se trata de algo institucionalizado, mas de um canal de diálogo a nível de assessores das diplomacias do Brasil e da União Europeia para tratar de questões técnicas que preocupam o bloco europeu.PublicidadeO governo reconheceu que as preocupações da Europa são legítimas, mas admite que foi pego de surpresa pelo veto.Em 12 de maio, onze dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio da UE-Mercosul, o bloco europeu anunciou a decisão de excluir completamente os produtos brasileiros de origem animal de seu mercado. A medida entrará em vigor em 3 de setembro e foi aprovada após votação dos 27 países de forma unânime.De acordo com comunicado assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, a medida atinge bovinos, equídeos (cavalos), aves, aquicultura (peixes), mel e tripas.Em maio,a UE já havia retirado o Brasil de uma lista de países aptos a realizar a exportação desses produtos para o bloco. Os países europeus exigem que o Brasil dê garantias adicionais do cumprimento do regulamento de uso de antimicrobianos — como antibióticos, por exemplo — nas criações.PublicidadeNa segunda-feira, durante uma coletiva de imprensa, António Costa, desviou dos questionamentos sobre a carne. “Isso é um assunto que tem que colocar à Comissão, é um assunto que a Comissão está a tratar”, respondeu.“Como sabe, nós com o Brasil fizemos colado no Mercosul um grande acordo este ano, que está agora a ser retribuído, que entrou já em pleno vigor. Obviamente, as normas sanitárias têm que ser cumpridas, mas a Comissão Europeia está em diálogo com o Brasil”, completou.Brasil não endossa dois documentos do G-7Esta cúpula do G-7 publicará ao menos oito declarações distintas. Três delas foram publicadas já nesta terça, as demais estão previstas para sair na quarta. O Brasil, como convidado, não tem poder de negociar ou assinar as declarações do grupo, mas pode endossar ou não.Os documentos previstos para serem assinados são:PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEParcerias internacionais para o desenvolvimentoCrescimento econômico equilibradoProteção online de menoresCombate ao narcotráficoLuta contra o câncerCombate ao contrabando de migrantesMinerais críticosCombate ao surto de EbolaOs três documentos publicados nesta terça foram sobre Parcerias Internacionais para o Desenvolvimento, Luta contra o câncer e resposta coordenada ao Ebola. O Brasil só endossou o documento sobre a luta contra o câncer.Segundo fontes do governo, a decisão por não endossar os outros dois se baseou em visões distintas dos demais países do G-7. No caso do primeiro, o Brasil ressalta a ausência de temas relacionados ao clima, já sobre Ebola foi apontada a ausência de menção à OMS quem, segundo o governo, deveria liderar o esforço de combate.Nos documentos de quarta, a fonte adianta que o Brasil não endossará o que trata de combate ao narcotráfico se estiver escrito da forma como está hoje, citando organizações do crime organizado como grupos terroristas. Minerais críticos também é um tema sensível para o Brasil pela ausência de uma visão de desenvolvimento e agregação de valor nos locais de extração.PublicidadeLula não interage com TrumpHavia a expectativa de que esta cúpula do G-7 servisse como um momento para que os presidentes Lula e Donald Trump se esbarrassem e conversassem rapidamente sobre tarifas. Membros do governo, porém, dizem que a interação não ocorreu, nem mesmo no momento da foto de família ou da reunião do G-7 ampliado.Em 2 de junho, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas desleais na relação bilateral, e mais 12,5% por não proibir e coibir efetivamente a importação de produtos feitos com regime de trabalho forçado. Logo após o anúncio, Lula confirmou sua vinda a Évian-les-Bains dizendo “agora eu vou”.Leia maisLula reclama de restrição à carne e ao aço em reunião com líderes da União Europeia; leia bastidoresUnião Europeia acelera negociação com Brasil por terras raras após EUA fechar compra de mineradoraGoverno brasileiro aposta no ‘bom diálogo’ e vê espaço para tentar reverter novo tarifaço dos EUACogitou-se, então, se haveria uma movimentação do Itamaraty para promover um novo “encontro de corredor” entre os presidentes, semelhante ao que aconteceu na Assembleia-Geral da ONU ano passado. Integrantes do governo brasileiro, no entanto, disseram que uma conversa de corredor seria insuficiente para tratar de um tema tão complexo quanto o tarifaço.PublicidadeA foto de família e a reunião ampliada foram as primeiras oportunidades para que os dois interagissem. O outro momento é no jantar com os líderes e convidados às 20h30 locais (15h30 de Brasília). Membros do governo não descartam que eles ainda podem interagir nos próximos dois dias.