O crédito é insumo importante para o crescimento de longo prazo, ao financiar investimento, suavizar consumo e aliviar restrições de liquidez. Mas há riscos quando a alavancagem agregada é alta, em especial quando a expansão se dá pelo endividamento das famílias. Diferentemente do crédito às empresas, que pode se converter em investimento e ganhos de produtividade, o crédito às famílias antecipa consumo.

Crescimentos expressivos de endividamento das famílias durante expansões de crédito podem gerar elevação a curto prazo, mas tendem a ser seguidos por crises mais profundas. Aumentos da razão dívida das famílias sobre o PIB preveem, com regularidade, menor crescimento e maior desemprego a médio prazo.

Esse padrão de boom-bust é bem estabelecido: períodos de forte expansão são seguidos por desaceleração em 3 a 5 anos. No boom, a oferta de crédito estimula o consumo, mas não vem acompanhada de melhorias na produtividade ou na renda permanente. A demanda agregada cresce, a capacidade produtiva não.

À medida que o estoque de dívida se acumula, o serviço da dívida pressiona o orçamento doméstico, e as famílias precisam reduzir o consumo para honrar seus compromissos. No bust, a demanda se contrai, e a queda é tanto maior quanto maior a alavancagem prévia. A recessão não é, portanto, um evento exógeno que atinge uma economia estável: é a consequência endógena dos excessos da expansão.