O Brasil registrou em 2025 uma das menores taxas de desemprego da história, 5,6%, e a renda média real cresceu 5,7%. Ao mesmo tempo, 79,5% das famílias estavam endividadas, o maior pocentual da série da Confederação Nacional do Comércio. A inadimplência no cartão de crédito rotativo encerrou o ano em 64,7%, dez pontos porcentuais acima de janeiro, e os juros chegaram a 438% ao ano em dezembro, quase trinta vezes a Selic, taxa básica de juros fixada pelo Banco Central. O descompasso entre mercado de trabalho aquecido e endividamento crescente não é um acidente estatístico, mas o resultado de juros elevados e uma expansão do crédito que priorizou o consumo imediato em vez da geração de renda.
A dívida das famílias, excluído o crédito habitacional, chegou a 31,3% da renda acumulada em doze meses ao fim do ano passado, e o comprometimento com o serviço do débito atingiu 29,3%, patamares que o próprio BC classifica como elevados. O cartão de crédito concentrou em dezembro 85,1% do total do endividamento, segundo a pesquisa mensal da CNC, aumento de 1,3 ponto porcentual frente ao ano anterior. A combinação de acesso fácil e limite generoso empurra o devedor para o rotativo ao menor deslize, e os 438% ao ano transformam qualquer saldo em espiral da morte. Segundo a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito, 83% dos consumidores negativados em maio de 2025 passaram pela mesma situação nos doze meses anteriores, sinal de que o problema deixou de ser comportamental e passou a ser estrutural.










