Empresas de navegação, seguradoras e companhias petrolíferas ainda consideram arriscada a passagem pela hidrovia, por onde circulava cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo antes da guerra 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um navio cargueiro ancorado no porto de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos: à espera de segurança para atravessar o Estreito de Ormuz — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 15:36 Trump Anuncia Reabertura do Estreito de Ormuz em Meio a Riscos Persistentes Donald Trump prevê a reabertura total do Estreito de Ormuz até sexta-feira, após um acordo preliminar entre EUA e Irã. No entanto, especialistas alertam que a remoção de minas pode levar semanas, tornando a passagem ainda arriscada para empresas de navegação e petrolíferas. Cerca de 20% do petróleo mundial passava pela hidrovia antes da guerra, e a retomada total do tráfego ainda enfrenta desafios significativos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que o Estreito de Ormuz estará totalmente reaberto até sexta-feira e que navios carregados de petróleo já "começam a sair" da principal rota energética do mundo após o anúncio de um acordo preliminar entre Washington e Teerã para encerrar a guerra. Especialistas em segurança marítima e representantes do setor de navegação, porém, alertam que a retomada completa do tráfego pode levar semanas ou até meses devido à ameaça de minas navais supostamente instaladas pelo Irã e à necessidade de operações de limpeza antes que seguradoras, empresas de navegação e companhias petrolíferas considerem a rota segura novamente, segundo informações do jornal Times of Israel. De acordo com avaliações de cinco fontes ocidentais de segurança marítima, a operação para garantir que o estreito esteja livre de explosivos pode durar entre 40 e 50 dias, mesmo com o uso de embarcações especializadas e drones submarinos de última geração. Até lá, empresas do setor tendem a evitar a rota ou operar com cautela. "Os navios começam a sair, muitos carregados de petróleo, do Estreito de Ormuz", escreveu Trump na rede Truth Social enquanto seguia para a cúpula do G7 na França. Mais tarde, antes de se reunir com o presidente francês, Emmanuel Macron, Trump afirmou que o estreito já havia sido "parcialmente reaberto", mas reconheceu que as autoridades ainda estão "procurando algumas minas" na região. O presidente americano também disse esperar que a passagem marítima esteja totalmente aberta até sexta-feira e afirmou que pretende pedir a líderes europeus apoio na operação de remoção de explosivos. Segundo Trump, embora os EUA não precisem de ajuda, não faria mal contar com "um ou dois navios de alguns países" participando da missão. As declarações também contrastam com mensagens divergentes emitidas por integrantes do próprio governo americano. Enquanto Trump afirmou que a hidrovia estará completamente aberta até sexta-feira, uma alta autoridade dos EUA disse a jornalistas que o tráfego marítimo não deve voltar ao normal por pelo menos duas semanas. Outro funcionário da administração, na mesma conversa com a imprensa, afirmou que a reabertura total ocorrerá ainda nesta semana. Apesar do otimismo demonstrado pela Casa Branca, grupos do setor marítimo alertaram nesta segunda-feira que ainda é cedo para considerar a passagem segura. A associação internacional de transporte marítimo BIMCO afirmou que a ameaça representada pelas minas continua sendo uma preocupação imediata e que corredores livres de explosivos ainda precisam ser estabelecidos. — Ainda consideramos muito arriscado que os navios retomem as travessias neste momento — diz Jakob Larsen, diretor de segurança da BIMCO. — A ameaça de minas na região continua sendo uma preocupação imediata e também de longo prazo, e rotas livres de minas precisam ser estabelecidas. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos diariamente no mundo passavam pelo Estreito de Ormuz. Especialistas afirmam que atrasos na reabertura total da rota podem manter retidos dezenas de milhões de barris de petróleo, em um momento em que os estoques das principais economias globais estão próximos dos níveis mais baixos em mais de duas décadas. Embora algumas embarcações tenham deixado a região nas últimas semanas com apoio de Washington e Teerã, o tráfego segue muito abaixo do normal. Dados do setor marítimo indicam que entre 12 e 15 navios atravessaram diariamente o estreito nas últimas semanas, contra uma média de 120 a 140 embarcações por dia antes do conflito. Negociações em andamento A assinatura do acordo entre EUA e Irã está prevista para sexta-feira, em Genebra. Nesta segunda-feira, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que Washington espera que o estreito permaneça aberto ao tráfego internacional "sem pedágios" cobrados por Teerã. A declaração foi feita após a chancelaria iraniana anunciar que pretende cobrar taxas por serviços marítimos. Segundo Vance, a questão deverá ser discutida durante negociações técnicas previstas para durar dois meses. O vice-presidente afirmou ainda que o acordo está baseado em um processo de verificação em duas etapas e reiterou que o acesso da República Islâmica a uma economia livre de sanções dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos por Teerã. A incerteza, no entanto, permanece sobre diversos pontos do pacto, incluindo o acesso iraniano a recursos financeiros congelados no exterior e o eventual alívio das sanções internacionais e americanas. A ameaça das minas Não está claro quantas minas o Irã pode ter instalado no estreito. Durante o conflito, Teerã ameaçou empregar esse tipo de armamento para reforçar seu controle sobre a passagem marítima, mas não informou se efetivamente posicionou explosivos na região. Os EUA, por sua vez, afirmam que as minas representam um risco real e dizem ter atacado embarcações iranianas utilizadas para sua instalação. Em 2 de junho, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou durante uma audiência no Senado que o Irã havia "minado grandes áreas de Ormuz", sem fornecer mais detalhes. Dias depois, a Marinha da Alemanha, citando informações das marinhas americana e britânica, informou que minas teriam sido identificadas em quatro pontos próximos ao estreito, embora não tenha conseguido verificar os relatos de forma independente. Questionado sobre a localização e a quantidade de explosivos, um porta-voz do Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou recentemente que não poderia divulgar detalhes por razões de segurança operacional. — Os esforços militares americanos para garantir que o Estreito de Ormuz esteja completamente livre das minas marítimas instaladas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã continuam em andamento — declarou. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRA​HIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países O Centro de Segurança Marítima de Omã também alertou navegadores em maio para que redobrassem a cautela ao trafegar pela região após relatar o avistamento de um objeto suspeito de ser uma mina flutuante. Mesmo a simples possibilidade da existência de minas já é suficiente para afastar empresas da rota. Um superpetroleiro e sua carga de petróleo bruto podem valer cerca de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão), o que leva seguradoras especializadas em riscos de guerra, companhias petrolíferas e empresas de navegação a exigir garantias de segurança antes de autorizar novas travessias. — Uma única mina marítima é suficiente para provocar mortes — afirma Rene Kofod-Olsen, diretor-presidente da empresa V.Group, uma das maiores do mundo em gestão técnica de embarcações e tripulações, que mantém 13 navios retidos no Golfo. — Isso representa, evidentemente, um enorme problema para o transporte marítimo global. Especialistas avaliam que, mesmo após os ataques americanos destinados a destruir embarcações e estoques iranianos utilizados na instalação de minas, Teerã ainda pode possuir até mil desses artefatos. — Se um campo minado for detectado, a eliminação da ameaça pode levar semanas ou até meses — afirma Corey Ranslem, diretor-presidente da empresa de segurança marítima Dryad Global. O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), Arsenio Dominguez, saudou nesta segunda-feira o acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, classificando-o como "um passo importante" para restaurar a segurança da rota. — No entanto, sua implementação exigirá tempo para garantir que todas as medidas necessárias de segurança e proteção estejam em vigor — ressalta. (Com AFP e New York Times)