Após novos ataques dos Estados Unidos ao Irã na quarta-feira (10) e os sinais do presidente americano de avanço nas negociações, o mercado de petróleo reforça a atenção sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Depois de ameaçar o Irã com novos ataques, Trump voltou às redes sociais e disse ter cancelado novos ataques pelo avanço nas negociações com Teerã. Em meio às idas e vindas do conflito, a expectativa é de que o Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do fluxo de petróleo global, seja reaberto gradualmente a partir de setembro. Essa é a análise de Martha Tallas, analista de petróleo da Argus Media em Londres. Segundo Tallas, o canal não deve ter sinais de reabertura até o fim de agosto. "O mercado tem um déficit de aproximadamente 14 milhões de barris por dia e, dada a falta de progresso nas negociações, agora acreditamos que o quadro deve se manter no futuro próximo", disse a especialista da Argus. Na visão de Martha Tallas, mesmo considerando o petróleo que está sendo redirecionado para exportação a partir do porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, e de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, volumes significativos continuarão fora do mercado. "Partindo da premissa de que o Estreito reabrirá gradualmente para embarcações em setembro e que o tráfego será restaurado progressivamente, as exportações de petróleo só retornariam aos níveis de janeiro [pré-guerra] em março de 2027", disse Tallas, que complementa: "Por isso, elevamos nossa previsão para o barril de petróleo pela referência North Sea Dated de US$ 95 para uma média de US$ 120 no terceiro trimestre. Se as exportações voltarem a fluir no quarto trimestre, os preços devem começar a cair, e projetamos US$ 95 por barril no fim do ano." Ainda assim, os efeitos da disrupção do mercado de petróleo devem perdurar até 2027 e 2028, segundo Tallas, por conta da redução nas exportações. "A demanda por petróleo e derivados estará elevada durante esse período [2027 e 2028], à medida que o mercado repõe os estoques utilizados neste ano. Além disso, muitos países devem tentar reforçar seus estoques estratégicos", conclui a especialista da Argus.