Expectativa é que essa frente avance após conclusão de investigações sobre a liquidação e a relação de Vorcaro com autoridades A Polícia Federal (PF) prevê avançar sobre gestoras e administradoras de fundos e outros operadores do mercado financeiro que venderam papéis e outros ativos do Banco Master na véspera da liquidação da instituição financeira de Daniel Vorcaro. A expectativa é que a corporação se debruce sobre essa frente depois de concluir as investigações sobre a liquidação do Master e as relações políticas do ex-banqueiro com autoridades dos três Poderes. Na avaliação da PF, o mercado financeiro já sabia, cerca de um ano e meio antes da liquidação, que a situação do Master estava insustentável, e várias pessoas e empresas podem ter tirado proveito dessa situação. Nesse contexto, alguns episódios já entraram no radar da corporação, como vendas de grandes ativos que acabaram se desvalorizando, e os casos de menores de idade que a PF já identificou na lista do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de credores do Master com aplicações inferiores a R$ 250 mil. Uma das suspeitas é que assessores de investimento teriam orientado pessoas a fazerem aplicações até o limite de R$ 250 mil em papéis do Master justamente para terem a garantia do FGC, por meio do uso de CPFs fraudulentos ou de laranjas. No momento, os investigadores se debruçam sobre os materiais e documentos já apreendidos nas oito fases da Operação Compliance Zero. A avaliação é que já há um grande volume de informações, para além das encontradas no celular de Vorcaro, que podem levar a corporação a avançar sobre mais fraudes financeiras. Além do ex-banqueiro, a PF apreendeu documentos e aparelhos celulares de outros elos do mercado financeiro, como os empresários Nelson Tanure, Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro, e João Carlos Mansur, fundador da Reag Trust. Eles foram alvos da segunda fase da operação, que mira fraudes financeiras cometidas por Vorcaro desde antes da compra do Master, e que teriam favorecido o ex-banqueiro e seus familiares. Os três empresários negam envolvimento em irregularidades. Expectativa é que avanço ocorra após a conclusão das investigações sobre a liquidação e a relação de Vorcaro com autoridades As operações deflagradas até o momento têm se baseado, principalmente, nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro e que expõem relações dele com políticos e outros personagens, como Paulo Henrique Costa, que presidiu o Banco de Brasília (BRB). A avaliação na PF é que a corporação não tem condições, no momento, de avançar sobre todas as frentes, sob o risco de não conseguir concluir de forma adequada as várias investigações. Por isso, agora, a prioridade é se aprofundar nas suspeitas envolvendo a liquidação do Master em si e a tentativa do BRB de “salvar” o banco, além das relações de Vorcaro com autoridades. Passada essa primeira fase, a corporação deve avançar também sobre quem tentou lucrar sabendo da derrocada do Master. Procurada, a defesa de Tanure enviou a mesma nota divulgada quando ele foi alvo de buscas, afirmando que ele não tem “qualquer relação societária” com o Banco Master, de quem foi cliente. O texto afirma ainda que o empresário “tem certeza” de que no decorrer das apurações promovidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), “restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação” com o Master. Os advogados dos outros executivos citados não retornaram os contatos. A defesa de Vorcaro também não se manifestou. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso desde março — Foto: Reprodução
PF vai mirar quem lucrou com Master em nova frente de apuração
Expectativa é que essa frente avance após conclusão de investigações sobre a liquidação e a relação de Vorcaro com autoridades













