A Polícia Federal (PF) avalia que as investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não chegaram nem na metade e quer acelerar o máximo possível as várias frentes de apuração antes das eleições. O objetivo é deflagrar novas fases antes de o período eleitoral dominar a agenda pública e garantir o avanço do caso sem dar margem para eventuais questionamentos e críticas. A medida tem como objetivo evitar episódios como os que ocorreram no passado em operações como a Lava-Jato, que teve delações tornadas públicas na véspera das eleições. A PF vem se debruçando sobre o vasto conteúdo do material que já foi apreendido e periciado para analisar as teias de relações e personagens envolvidos em episódios suspeitos e avançar sobre os casos considerados mais graves. No atual estágio, as investigações focam no processo de liquidação do banco e nas relações mantidas por Vorcaro com integrantes dos três Poderes. Nesse cenário, a avaliação da corporação é que a segunda proposta de colaboração premiada apresentada por Vorcaro não traz nenhum fato novo e mesmo menções envolvendo personagens do PT e ligados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratam de situação que já estavam mapeadas pelos investigadores ao analisar o conteúdo reunido até agora. Vorcaro está preso desde março por suspeitas de práticas de crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão do extinto Banco Master. A operação Compliance Zero já completou oito fases e avançou sobre alguns políticos, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-governador do Rio Claudio Castro (PL). A expectativa é que a lista de nomes investigados seja ampliada, em breve. Como o volume de informações é muito extenso, a corporação também tem se debruçado em fazer uma análise criteriosa do material encontrado e em mapear a sofisticada rede de empresas e fundos utilizados por Vorcaro e seus auxiliares para cometer fraudes financeiras e ocultar os verdadeiros responsáveis pelos recursos desviados. O trabalho é demorado e, por isso, a avaliação é que a investigação não está nem na metade e que também não depende do fechamento de acordos de colaboração para avançar. Somado a esse contexto, as propostas de delação apresentadas até o momento por Vorcaro foram consideradas frágeis pela PF e os investigadores ainda sentem incômodo com a postura adotada por ele e sua defesa. Na segunda tentativa para fechar a colaboração, a defesa de Vorcaro procurou inicialmente a Procuradoria-Geral da República (PGR), já que a PF havia negado a primeira tentativa. A partir daí, o órgão chamou a Polícia Federal novamente para participar das tratativas. Apesar de mais robusta que a primeira, a proposta ainda foi considerada fraca por não trazer informações que permitam a PF avançar sobre novas frentes. Mesmo as menções a nomes que ainda não foram alvo de operações policiais não empolgaram os investigadores. A avaliação é que as informações apresentadas não avançam para além daquilo que já vinha sendo mapeado pela corporação. Também surpreendeu os investigadores a forma como os advogados do ex-banqueiro trataram o eventual pagamento de multa e bens bloqueados. A defesa chegou a propor que Vorcaro voltasse a administrar a estrutura do Master pós-liquidação, para utilizar os recursos e quitar ao longo dos anos a multa às autoridades. A PF deve rejeitar, novamente, o fechamento do acordo. Enquanto isso, a PGR ainda não tem uma definição sobre a colaboração premiada de Vorcaro e a expectativa é de que se manifeste ao STF sobre as tratativas até sexta-feira (12). A reportagem tentou contato com a defesa do ex-banqueiro, mas não obteve retorno.