Portugal enfrenta desafios significativos no que diz respeito à saúde mental. O último Inquérito Nacional de Saúde, publicado em 2019, deu conta de que 8% da população apresentava sintomas depressivos. Os dados citados no relatório “Portugal: Perfil de saúde do país 2023”, da OCDE, dizem-nos que 22% da população analisada em Portugal sofria de uma perturbação de saúde mental em 2019. A média da União Europeia era de 16,7%.Um inquérito mais recente, da Marktest/Medicare, concluiu que 30% dos inquiridos sentiu necessidade de procurar um profissional de saúde mental em 2024, e que 35% registou, pelo menos, um sintoma de uma doença do foro mental.O consumo de psicofármacos também nos deve fazer refletir. Dados do Infarmed mostram que, em 2025, foram vendidas mais de 29 milhões de embalagens, o valor mais elevado da última década, durante a qual a venda de antidepressivos cresceu 82%. Como consequência, os encargos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) subiram em quase 30 milhões de euros num ano.Perante estes números, a pergunta impõe-se: se a depressão é tão prevalente e há doentes que não respondem aos tratamentos convencionais, por que falamos tão pouco da maior inovação psiquiátrica, em matéria de saúde mental, dos últimos 30 anos?Falo da utilização clínica dos psicadélicos. E a resposta à minha questão começa no estigma. A criminalização de substâncias psicadélicas, a partir da Convenção sobre as Substâncias Psicotrópicas, de 1971, tem alimentado uma desconfiança na opinião pública para aceitar o seu valor terapêutico, independentemente do que a ciência nos revele.
Os psicadélicos são um recurso terapêutico eficaz na saúde mental. Por que não falamos mais deles?
Se a depressão é tão prevalente e há doentes que não respondem aos tratamentos convencionais, por que falamos tão pouco da maior inovação psiquiátrica, em matéria de saúde mental, dos últimos 30 anos?









