[RESUMO] Conferência Interdisciplinar sobre Pesquisa Psicodélica, realizada no início deste mês, destacou-se pela sobriedade ao tratar do tema, em contraste com as guinadas que a perspectiva de aplicação clínica vem enfrentando nos EUA, após Trump mandar acelerar regulamentação. Encontro europeu ressaltou que não devemos ignorar mitos e ideias feitas persistentes no campo, como a moldura mística para enquadrar experiências e práticas psicodélicas.

Após a ordem executiva de Donald Trump mandando acelerar psicodélicos, nada como uma conferência na Europa para conter o entusiasmo.

Realizada em Haarlem (Holanda), de 4 a 6 de junho, a Conferência Interdisciplinar sobre Pesquisa Psicodélica (ICPR26, em inglês) se destaca pela sobriedade, em contraste com as guinadas que a perspectiva de aplicação clínica vem enfrentando nos EUA, onde caminha para a regulamentação talvez em menos de um ano.

A expectativa de aprovação do MDMA (ecstasy) para transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) era alta em 2024, mas veio aquele agosto e a proposta da empresa Lykos (ora rebatizada Resilient) fracassou na FDA, a Anvisa de lá.

Em 2023 havia 12 mil pessoas na conferência Psychedelic Science em Denver, que encolheu para 8.000 em 2025, após o revés, mas aí o podcaster Joe Rogan caprichou no lobby e Trump entrou na onda, empinando de novo a curva do hype.