Desde 1961, a Fundação Körber organiza na Alemanha encontros com lideranças políticas, econômicas e acadêmicas para debater o futuro europeu. Na semana passada participei do encontro mais recente em Berlim com o tema "Potências Médias e Geopolítica da Tecnologia".

Na mesa estava Ana Palacio, ex-chanceler da Espanha (que me confessou ser fã de João Gilberto e Caetano Veloso). Além de membros da chancelaria alemã, representantes da Índia, Indonésia, Japão, África do Sul, Brasil, México e outras "potências médias".

Em face da ascensão da China e dos Estados Unidos, esse grupo tão diverso está agora reunido sob o chapéu comum de "potências médias".

O evento marcou também a publicação do mais novo estudo da Fundação, o "Relatório das Potências Médias Emergentes 2026". Uma análise multinacional sobre temas de política externa. O relatório perguntou: "Como você avalia a influência dos EUA globalmente?".

No grupo formado por África do Sul, Alemanha, Brasil e Indonésia, menos de 25% dos especialistas consultados afirmam ser positiva. O caso da Alemanha é notável. Em 2024, a avaliação era quase 80% positiva, e hoje é 10%. Queda vertiginosa em dois anos. A Índia, por sua vez, tem avaliação positiva próxima a 50%.