A Europa nos últimos meses mudou radicalmente sua postura sobre tecnologia. Até então, o continente era conhecido por um elemento central: a regulação. Criou leis abrangentes e complexas aplicáveis ao mercado e empresas de tecnologia: o DSA (serviços digitais), DMA (mercados digitais), a Lei da IA e a GDPR (proteção de dados), dentre outras.

Só que percebeu que o efeito dessas leis não foi civilizar as empresas de tecnologia, mas sim atrasar o desenvolvimento tecnológico local. O resultado está aí: dependência de mais de 80% em produtos digitais de fornecedores não-europeus, e cerca de 70% da nuvem europeia nas mãos de gigantes americanas.

A percepção do continente agora é outra. Seu objetivo mudou para soberania. E para ser soberano a conta é simples: é fundamental desenvolver, dominar e controlar partes significativas da infraestrutura de hardware e de software. Países sem tecnologia própria mínima estão sujeitos a pressões geopolíticas e ataques, mesmo que sua regulação seja duríssima. Em outras palavras: em tecnologia, divorciar regulação de política industrial é um erro crasso (que o Brasil vem cometendo há anos).

Para alcançar soberania, a Europa fez duas grandes guinadas. Primeiro, simplificou e alterou radicalmente sua regulação, percebida como um obstáculo para as empresas europeias se tornarem competitivas. Além disso, no dia 3 de junho de 2026, lançou o Pacote Europeu de Soberania Tecnológica.