A União Europeia (UE) tem trabalhado em “estratégia ampla” para fortalecer sua “soberania tecnológica”. A afirmação partiu de Henna Virkkunen, vice-presidente executiva de Tecnologia, Soberania, Segurança e Democracia da Comissão Europeia, durante palestra no último dia do Web Summit Rio 2026 – edição latino-americana da maior conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo. Ao falar sobre tema “A nova soberania tecnológica: fortalecendo as parcerias nacionais e globais”, em sua palestra no evento, a executiva detalhou que a UE tem concentrado esforços, para desenvolver capacidade própria, em campos digitais cruciais. A ideia, continuou ela, é montar empreendimentos e prover parcerias que possam fazer com que o bloco europeu reduza dependência, de fornecimento de outros países, em aparatos de tecnologia. “Na semana passada, a UE apresentou um novo pacote de soberania tecnológica e de IA [Inteligência Artificial]”, disse. “O objetivo é reduzir a dependência de computação em nuvem, semicondutores e software estrangeiros, e pelo menos, triplicar a capacidade de seus centros de dados até 2030”, continuou Virkkunen. Nessa estratégia do bloco, completou ela, está inserida elaboração de Lei de Desenvolvimento de Nuvem e Inteligência Artifical (IA) para impulsionar a capacidade da nuvem e de centros de dados europeus. Semicondutores e domínio americano A especialista citou ainda intenção da UE em fortalecer mercado europeu de semicondutores. Ela ponderou que os semicondutores são uma condição essencial para a soberania tecnológica. Isso porque se prevê que 70% do valor do mercado global de semicondutores estejam ligados a chips de IA até 2030. Questionada sobre o tema, Virkkunen confirmou dados de que, atualmente, a UE depende de fornecedores não europeus para mais de 80% de seus produtos e serviços digitais, com 70% do seu mercado de computação em nuvem dominado por empresas americanas. “As tecnologias também são uma parte muito importante da nossa segurança geral”, disse. “Aqueles que possuem capacidade tecnológica, naturalmente, dominam a economia e o mundo”, afirmou. “Por isso, também é importante que a Europa não seja excessivamente dependente de outros países em setores críticos, e que tenhamos também a nossa própria capacidade de inovar e impulsionar as tecnologias”. Concomitantemente com o trabalho de desenvolver campos próprios de tecnologia, a UE tem colaborado com parceiros internacionais de confiança, no meio digital, acrescentou a vice-presidente executiva. Nesta sexta-feira (12), o bloco europeu vai assinar parceria digital com o Brasil, o quinto acordo desse tipo firmado pelo bloco europeu, acrescentou ela. Parceria "confiável" com o Brasil Em sua palestra no evento, a vice-presidente classificou o Brasil como “um parceiro confiável” para toda a UE. “[Ser confiável], isso significa que estamos [Brasil e UE] comprometidos com mercados abertos, com tecnologias seguras e com a ordem internacional baseada em regras”, disse. “Além disso, estamos dispostos a cooperar e somos parceiros confiáveis ​​uns para os outros. Podemos cooperar nas áreas de inovação em recursos, cibersegurança e conectividade, principalmente quando falamos da relação entre a União Europeia e o Brasil”, completou Virkkunen.