O Instituto do Cérebro e o Hospital Universitário Onofre Lopes iniciam esta semana teste clínico fundamental para alcançar a meta de ofertar terapias psicodélicas a todos os brasileiros. As duas unidades da Universidade Federal do Rio Grande do Norte remam contra a corrente da Big Pharma, mas são tolhidas por burocracia, preconceito, recursos escassos e conflitos no próprio campo.
O ensaio com vistas a tratar depressão resistente aos medicamentos existentes envolve inalação de dimetiltriptamina (DMT), psicodélico clássico presente na ayahuasca e na raiz da jurema-preta. O grupo já obteve bons resultados com 14 pacientes (85% de resposta e 57% em remissão após uma semana) no estudo de fase 2a em 2025 e agora deslancha o de fase 2b com controle por placebo e até 140 voluntários em recrutamento em Natal, São Paulo, Rio, Salvador e Fortaleza.
O teste multicêntrico, marco na pesquisa psicodélica nacional, conta com parte dos R$ 6 milhões aprovados para o ICe-UFRN pela Finep, órgão federal de apoio a projetos. É passo decisivo para chegar à fase 3, que pode arrolar centenas de pacientes, custar vários milhões e fundamentar um pedido de licença da terapia a agências reguladoras, como a Anvisa no Brasil e a FDA nos Estados Unidos.








