Durante décadas, a cultura psicodélica foi enfrentada quase exclusivamente pela lógica da criminalização. Entre campanhas antidrogas, operações policiais e matérias alarmistas que associavam LSD, cogumelos e outras substâncias ao colapso social, consolidou-se um imaginário marcado pelo medo, pela paranoia e pela repressão.
Hoje, porém, basta abrir o Instagram para perceber que alguma coisa mudou. Em meio a reels sobre microdosagem de cogumelos, anúncios de retiros espiritualizados de ayahuasca, clínicas oferecendo infusão de cetamina e estudos apontando potenciais benefícios terapêuticos da psilocibina, do MDMA e do LSD, convivem as mesmas manchetes de sempre: pequenos cultivadores de cogumelos presos, estudantes tratados como grandes traficantes e reportagens sensacionalistas sobre “super cogumelos perigosos” ou “supermaconha” levando jovens à loucura.
Em muitos casos, trata-se das mesmas substâncias transitando entre narrativas completamente diferentes — ora apresentadas como ameaça social, ora como promessa de cura emocional, expansão de consciência e tratamento psiquiátrico inovador. A contradição revela não apenas uma mudança cultural em curso, mas também uma disputa sobre quem pode falar, pesquisar, consumir e legitimar experiências psicodélicas.











