De uma só tacada, pesquisadores da Universidade do Texas lograram prevenir dores intratáveis da quimioterapia com um composto psicodélico antidepressivo, a psilocibina de cogumelos, e desvendaram o mecanismo bioquímico que amplia para além da saúde mental a aplicação desse alterador de consciência. A chave do surpreendente duplo benefício está no transporte celular de energia.
O artigo do Centro de Câncer MD Anderson, em Houston, aparece nesta quinta-feira (3) na Science com o título "Psilocibina Previne Neuropatia Periférica Induzida pela Quimioterapia por Meio da Preservação do Tráfego Mitocondrial". Entre os 30 autores figura o brasileiro Frederico Omar Gleber Netto.
A neuropatia periférica induzida pela quimioterapia (NPIQ) surge como efeito adverso comum de compostos tóxicos empregados para matar células tumorais. Ela se manifesta nas palmas das mãos e na planta dos pés de três quartos dos pacientes submetidos ao tratamento, e em um terço dos casos pode evoluir para dores permanentes, sem solução eficaz.
Os autores sêniores do trabalho são Patrick M. Dougherty e Moran Amit. Em entrevista coletiva realizada na terça-feira (1º), Amit disse que a pista surgiu quando uma pós-doc dele observou, poucos anos atrás, que camundongos com tumores não desenvolviam neuropatia ao receber psilocibina antes da químio.















