Gato escaldado tem medo de água fria: o dito se aplica bem à pesquisa clínica com LSD, estrela da primeira onda nos anos 1950-60 ora submersa no vagalhão apelidado de renascimento psicodélico. Poucos estudos, hoje, investigam o potencial desse símbolo da contracultura, mas saíram resultados de um teste de fase 3 que podem ameaçar a hegemonia da psilocibina de cogumelos para tratar depressão.

A firma Definium Therapeutics, de Nova York (antes chamada MindMed), anunciou na segunda-feira (22) acentuada melhora em 75 pacientes que receberam sua formulação patenteada de lisergida (DT120), um tablete para dissolver na boca. Seis semanas depois, eles apresentavam recuo de 13,3 pontos na escala Madrs de depressão (máximo de 60), contra 5,2 entre os 74 que tomaram placebo.

A diferença de 8,1 pontos supera muito a redução de 3,6 obtida no ensaio de fase 3 da empresa britânica Compass Pathways com psilocibina, até aqui o psicodélico mais cotado para aprovação da agência de fármacos dos EUA, a FDA. O maior competidor da Compass era o Instituto Usona, sem fins lucrativos, que também testa para depressão versão sintética do composto originário de cogumelos.

Como assinalou o boletim Psychedelic Alpha, a comparação direta fica prejudicada pelas diferenças entre os testes. A Definium recrutou pacientes com transtorno depressivo maior, quadro clínico formal da depressão, enquanto a Compass focalizou a depressão resistente, ou seja, o subgrupo de pacientes que passaram por pelo menos dois tratamentos com antidepressivos sem apresentar melhora.