Nos poucos lugares em que terapias psicodélicas são legais, poucos têm conseguido beneficiar-se, por restrições burocráticas ou de custo. No Brasil, mesmo sem qualquer iniciativa oficial para regulamentação, o problema do acesso ao tratamento –ainda experimental, vale ressaltar– já está no radar de pesquisadores e ativistas.
A preocupação com a elitização aparece em artigo de Anna Luiza Guimarães e outros autores no periódico Clinical Therapeutics, sob o título "Barreiras e Facilidades para Pesquisa e Regulamentação de Psicodélicos no Brasil: Percepções de Diversas Partes Interessadas". O texto reúne entrevistas com 26 líderes de pesquisas, profissionais de saúde, empresários, ativistas, pacientes e líderes indígenas.
A principal barreira citada foi o estigma de psicodélicos, e a maior oportunidade, avanços científicos. Os entrevistados enfatizam a necessidade de promover pluralismo epistemológico (integrar uma perspectiva de povos tradicionais a estudos), acessibilidade e protocolos lastreados em ciência para uso clínico.
O Brasil reúne condições ímpares para criar um modelo de uso terapêutico que transcenda limitações inerentes às experiências de países como Austrália, Canadá, Suíça e EUA. A experiência acumulada no uso ritual indígena e religioso da ayahuasca, a relevante pesquisa científica e um serviço universal de saúde como que preparam o caminho para evitar a gentrificação psicodélica que vem por aí.







