Recentemente, vimos, no Brasil e no mundo, uma crescente popularização do uso de substâncias psicodélicas. O uso ritualístico, terapêutico, recreativo e em microdoses, especialmente da psilocibina presente nos cogumelos do gênero Psilocybe cubensis, deixou de ser um assunto restrito aos psiconautas e passou a ocupar espaço nas redes sociais, em documentários, livros, podcasts, canais no YouTube e até mesmo em pesquisas científicas conduzidas por universidades de renome.
No Brasil, os cogumelos contendo psilocibina sempre ocuparam uma espécie de área cinzenta da legislação. O fungo, em si, nunca foi proibido ou controlado. Cresce naturalmente em pastagens por todo o país e pode ser encontrado com relativa facilidade, embora essa prática represente um risco, já que espécies psicoativas podem ser confundidas com cogumelos altamente tóxicos e potencialmente letais.
Durante anos, esse mercado permaneceu consideravelmente discreto. Isso mudou com a explosão das redes sociais, da divulgação do potencial terapêutico da psilocibina e da popularização da microdosagem. Em muitos casos, os cogumelos passaram a ser vendidos quase como um suplemento alimentar, acompanhados de promessas exageradas e de uma visão romantizada que ignora riscos, contraindicações e a importância da redução de danos.









