Nelson Rodrigues dizia que o futebol brasileiro cuidava da integridade das canelas, mas se esquecia do emocional do jogador. A ciência concorda com o cronista tricolor e acrescenta: também merece atenção o coração de quem assiste a uma partida.

Com o início da Copa do Mundo, a medicina reforça: na arquibancada ou no sofá, o estresse emocional intenso pode causar sérios danos e até levar à morte.

A atriz e jornalista Angelita Campelo, 45, sabe bem disso. Após uma partida decisiva que definia o futuro do Fluminense na Série A do Brasileirão, em 2024, contra o Palmeiras, o nervosismo levou a carioca direto para a emergência com a pressão arterial elevadíssima. "Não tive um infarto porque Deus não quis", relata.

Torcedora da seleção da Espanha, apontada como uma das favoritas ao título do Mundial deste ano, ela diz estar preparada para fortes emoções: "Acho que a final vai ser entre Espanha e Argentina. Se for, já sei que vou sofrer."

Presidente do Conselho Diretor do InCor (HCFMUSP), o cardiologisa Roberto Kalil Filho afirma que doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, com um óbito a cada 90 segundos.