Em tempos de Copa do Mundo, com o planeta inteiro hipnotizado pela bola, mulheres adultas andam obcecadas por outro tipo de esporte. Este não tem placar na TV nem narradores apaixonados, mas envolve um time de hóquei e mobiliza horas de puro delírio hormonal e sociológico. Mulheres de 40 e 50 anos, vacinadas contra o romantismo barato e calejadas por divórcios e boletos, sofrem de uma febre coletiva por "Off Campus". A série estreou há um mês no Prime Video, adaptada dos romances juvenis da canadense Elle Kennedy, e já virou a produção mais assistida da plataforma.
De tanto ouvir amigas inteligentes, com repertório, anos de terapia nas costas, falarem do fenômeno com os olhos brilhando, resolvi ceder. Dei o play esperando o pior. E o começo cumpre a promessa: morri de tédio no primeiro episódio. O enredo é mais manjado que a escala do voo Rio-São Paulo. Temos o clássico jogador de hóquei universitário, um gostoso padrão que vai mal nas notas e precisa de reforço para não ser jubilado do time. E a pobre nerd que aceita dar aulas em troca de um namoro de fachada para causar ciúmes no músico deprimido que a ignora. É o clichê que Hollywood requenta desde os anos 1990.
No entanto, o que tinha tudo para ser apenas mais uma distração previsível se transformou em algo perturbador. Não pela complexidade da trama, mas pelo choque de realidade. Aqueles garotos de vinte e poucos anos da ficção dão um banho de inteligência emocional nos marmanjos barbados que habitam os aplicativos de relacionamento ou as mesas de bar do Baixo Gávea e de Santa Cecília.














