A plataforma Tele Tele promete aos usuários "novelas do tamanho da sua tela e do seu tempo". A julgar pelo principal lançamento, o drama-thriller-comédia para celular "A Boa, a Má e o Marido Gigolô", esse tempo é mínimo.

O formato vertical, sem nenhum episódio com mais de três minutos, causa estranheza em quem está acostumado ao modelo celebrizado durante décadas pela Globo, no qual as tramas se arrastam por meses, ou às séries e suas muitas temporadas. Como entretenimento, porém, traz suas vantagens.

Com tão pouco tempo, os roteiristas não podem desperdiçar uma cena, um diálogo, um gancho. Não há diversos núcleos; o enredo todo se desenrola com quatro personagens —cinco, se contada a que morre em uma das primeiras cenas. Nenhum deles fica pelo caminho, esquecido.

São três protagonistas —a boa e o marido gigolô do título, mais o agente de talentos que completa o triângulo amoroso sem o qual nenhuma novela anda— e uma coadjuvante, a mãe da mocinha.

A história também é simples, simplíssima, e direta para capturar rapidamente a atenção: uma gêmea má e rica, a atriz Rayanne, morre num acidente doméstico, e a irmã boa e pobre, Marcele, toma seu lugar para conseguir bancar o tratamento médico da mãe.