A Copa do Mundo coloca em campo também a oportunidade de pensar por que os gramados e as arquibancadas são espaços em que os homens parecem mais à vontade para se emocionar. As lágrimas que rolam no rosto de jogadores e torcedores quando o time do coração —ou o país natal— joga não encontram o mesmo caminho livre fora desse ambiente.
"Alguns tipos de toque, um pegar na bunda do outro, deitar em cima do outro na comemoração, segurar as mãos, abraçar… São cenas em que os homens estão protegidos pela própria prática", diz a professora de educação física do Coltec UFMG Eliene Lopes Faria, pesquisadora do futebol. "O fato de eles estarem dentro do futebol não coloca em questão a masculinidade. É porque eles são daquele lugar e têm o reconhecimento de serem masculinizados que eles podem realizar isso."
As restrições a certas formas de ser homem no ambiente do futebol, para pesquisadores ouvidos pelo podcast Café da Manhã, alimentam um modelo de masculinidade ainda associado à violência e à exclusão. O acesso mais amplo de meninos e homens (na comparação com meninas e mulheres) ao esporte também contribui para espaços ainda muito machistas. Elementos que ganham um peso maior quando o futebol ocupa tanto espaço na socialização —como no Brasil.









