O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira que seu país venceu a guerra contra os EUA e Israel e até saiu fortalecido. Ele disse também que as questões nucleares serão tratadas apenas em etapas posteriores das negociações e ressaltou que o acordo interino servirá como pré-requisito para novas conversas. Ao mesmo tempo, detalhou o que seriam os contornos de um acordo interino proposto entre Teerã e Washington. “O Irã é o vencedor da guerra com os Estados Unidos”, declarou Araghchi, acrescentando que seu país saiu fortalecido do conflito. “O acordo provisório é o primeiro passo. Se ele não for implementado, não haverá negociações sobre a questão nuclear”, disse ele em entrevista à TV estatal iraniana. A única solução aceitável para Teerã em relação ao seu estoque de urânio altamente enriquecido é a diluição do material para níveis mais baixos de enriquecimento, acrescentou, rejeitando alternativas como a transferência do estoque para fora do país. Araghchi disse que um memorando de entendimento entre os dois países ainda não foi assinado e continua sujeito a possíveis alterações. Segundo ele, o acordo provisório incluiria o fim das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano, onde, afirmou, o encerramento do conflito exigiria a retirada de Israel das áreas ocupadas. Araghchi acrescentou que o entendimento também prevê o fim do bloqueio imposto pelos EUA ao Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica por onde passa um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural. Araghchi também afirmou que os recursos financeiros iranianos congelados serão liberados no âmbito do acordo e que o Irã garantirá a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz. No entanto, acrescentou que a administração da via marítima não retornará ao modelo existente antes da guerra, afirmando que a soberania sobre o estreito é do Irã e de Omã: “Nossa espada permanecerá sempre suspensa sobre o Estreito de Ormuz”. O chanceler acusou Israel de se opor a um acordo entre Irã e EUA e afirmou que pressões externas não levarão Teerã a mudar sua posição. “As ameaças dos Estados Unidos contra o Irã devem parar. Teerã nunca se rende à pressão”, declarou. Autoridades iranianas e americanas têm sinalizado nos últimos dias que as negociações se aproximam de uma etapa decisiva, embora detalhes importantes de um eventual acordo ainda permaneçam em discussão.