Na segunda-feira, presidente americano voltou a ameaçar retomar bombardeios contra país persa; negociações foram interrompidas enquanto funeral do aiatolá Ali Khamenei é realizado O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, participa de uma coletiva de imprensa ao lado do ministro das Relações Exteriores do Iraque, Fuad Hussein (não aparece na foto), em Bagdá, Iraque, em 28 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Thaier Al-Sudani O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, rebateu nesta terça-feira declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou terça-feira que, pelos termos do memorando do cessar-fogo provisório assinado por Washington e Teerã, as negociações sobre um acordo definitivo "não terão início se as ameaças continuarem". "O Parágrafo 13 do MoU [memorando de entendimento] é claro: As negociações sobre o acordo final não começarão se as ameaças continuarem. Honre sua assinatura", escreveu ele na rede social X. Na segunda-feira, Trump voltou a ameaçar retomar os bombardeios quando disse a jornalistas no Salão Oval: "Ou vamos fazer um acordo ou vamos terminar o serviço... Podemos derrubar as pontes deles em uma hora, podemos destruir o fornecimento de energia deles." A guerra permanece suspensa em razão de um acordo provisório de paz firmado no mês passado, concebido para criar um período de 60 dias destinado à negociação de um acordo permanente. Uma rodada de negociações indiretas realizada no Catar foi concluída na semana passada sem avanços rumo a uma paz duradoura. Por ora, as tratativas seguem paralisadas em razão das cerimônias fúnebres do líder supremo da República Islâmica Ali Khamenei, morto no primeiro dia de bombardeios dos EUA e Israel contra o Irã. A navegação pelo Estreito de Ormuz, rota vital por onde circulavam diariamente cerca de um quinto do gás natural liquefeito (GNL) e petróleo comercializados no mundo antes da guerra, segue rondada por incertezas. Dois petroleiros foram atingidos na hidrovia entre segunda e terça-feira. Um deles é o navio-tanque de GNL Al Rekayyat, do Catar, que informou ter sido atingido durante a noite e que sua casa de máquinas pegou fogo. Segundo fontes de segurança marítima, a outra embarcação atingida é um petroleiro saudita de petróleo bruto, que também sofreu danos. Ninguém assumiu a responsabilidade pelos ataques. O site Axios informou que o Irã disparou contra duas embarcações. Nem Washington nem Teerã comentaram diretamente as informações. Os preços do petróleo, que haviam retornado a níveis próximos aos registrados antes da guerra após o acordo provisório do mês passado permitir a retomada da navegação pelo estreito, subiam cerca de 1% nesta terça-feira após os incidentes na hidrovia. Ao lançar a guerra, há quatro meses, Trump afirmou que seus objetivos eram destruir os programas nuclear e de mísseis do Irã, eliminar sua capacidade de ameaçar os países vizinhos e criar condições para que os iranianos derrubassem seus líderes. Nenhum desses objetivos foi alcançado, embora Washington afirme que um acordo permanente interromperá o que considera ser um programa iraniano capaz de produzir uma arma nuclear — algo que Teerã insiste nunca ter buscado. Além disso, os líderes religiosos do Irã passaram a exercer um novo controle sobre a mais importante rota marítima de transporte de energia do mundo, onde pretendem instalar um sistema permanente de cobrança de tarifas, o que representaria uma mudança significativa no equilíbrio de poder em uma região em que Washington atua há gerações como garantidor da segurança. Um navio porta-contentores (à direita) e um navio cargueiro são vistos no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, Irã, na quarta-feira, 17 de junho de 2026 — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP Funeral de Khamenei continua em Qom Apesar de cinco dias de luto, ainda não houve qualquer aparição pública de Mojtaba Khamenei, filho e sucessor de Ali Khamenei, que se acredita ter ficado desfigurado pelos ferimentos sofridos no mesmo ataque e não foi visto em nenhuma imagem desde o início da guerra. Três outros filhos do líder morto participaram das orações diante do caixão no domingo. As autoridades iranianas apresentaram as cerimônias fúnebres multitudinárias como prova da unidade nacional após os ataques dos Estados Unidos e de Israel, embora seja difícil medir a profundidade desse apoio em um país onde a imprensa e as comunicações são rigidamente controladas. Poucas semanas antes do início da guerra, as autoridades iranianas mataram milhares de manifestantes para reprimir alguns dos maiores protestos contra o governo da história do país. Desde o início do conflito, porém, não houve sinais de oposição organizada. Os caixões do líder e de seus familiares percorreram nesta terça-feira as ruas da cidade sagrada de Qom, onde centenas de milhares de pessoas carregavam bandeiras e cartazes comparando Khamenei aos mártires cujas mortes são um dos pilares da tradição xiita. Nos cânticos, prometiam vingar Khamenei. Alguns carregavam cartazes com a frase "MATEM TRUMP". Uma procissão semelhante percorreu as ruas de Teerã na segunda-feira, após cerimônias religiosas iniciadas na sexta-feira passada, que reuniram integrantes da cúpula iraniana e autoridades estrangeiras. As autoridades afirmam que o corpo do líder será levado a cidades sagradas xiitas no Iraque antes de retornar ao Irã para ser sepultado em um santuário medieval. Pessoas em luto seguram uma faixa anti -Trump enquanto se reúnem para o cortejo fúnebre do falecido Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro em ataques aéreos israelenses e americanos, em Teerã, Irã, 6 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Mohammed Salem