PUBLICIDADE Para o ex-premier português José Manuel Durão Barroso, mundo vive fase de afagos ao extremismo, mas Brasil pode desempenhar papel importante no curto prazo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 José Manuel Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia e ex-premier de Portugal, em painel na Rio Nature and Climate Week — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 10:32 Ex-premier Durão Barroso: Brasil como líder em agenda climática positiva José Manuel Durão Barroso, ex-premier português, alerta sobre a fragmentação política e o extremismo que ameaçam as políticas climáticas. Destacando a importância do Brasil, Barroso vê o país como um líder potencial na promoção de uma agenda ambiental positiva. Ele critica a influência das redes sociais na amplificação de discursos extremistas e sugere que a colaboração internacional e o engajamento do setor privado são cruciais para enfrentar os desafios climáticos globais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em uma peculiar coincidência, uma das primeiras medidas do presidente dos EUA, Donald Trump, em seus dois mandatos foi abandonar o Acordo de Paris para o Clima, firmado em 2015 e que se tornou um dos principais compromissos para tentar frear o aquecimento do planeta. Além do discurso antiambiental do republicano, a retirada se encaixa em uma persona política que vai além da Casa Branca: líderes avessos ao multilateralismo, que avançam com agendas próprias com uma roupagem de “homens fortes”. — Um líder precisa ser alguém que olha para o lado e vê que as pessoas estão com ele. Que não atua para apenas um grupo pequeno. A democracia não funciona assim — disse o ex-premier português e ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso, em um painel na Rio Nature and Climate Week. — Eles devem ver seu partido, seu Estado, sua organização como um instrumento, na qual o que conta são as pessoas. Político hábil e com laços próximos com o Brasil — seu pai nasceu no Rio de Janeiro, em 1922 —, Barroso não citou o nome de Trump diante da plateia no Edifício Turing, mas destacou como o avanço de políticas extremistas e isolacionistas é uma questão urgente para democracias, e que afeta diretamente políticas sensíveis, como as ambientais. — Entendo que o importante seja encontrar um conjunto de interesses [em negociações] e que não seja uma vergonha para um líder nacional fazer concessões, e que isso seja entendido pela opinião pública — destacou. — Isso hoje é mais difícil, diante da cultura dos homens fortes, do ultranacionalismo. — A classe média perdeu rendimentos, se sentiu abandonada e começou a olhar para posições mais radicais, e há um terreno para esses pensamentos — explicou. — Houve outras questões, como a imigração irregular, que intensificou a xenofobia. E estamos acompanhando um aumento desses movimentos. A agenda ambiental é hostilizada por vozes extremistas, que a veem como ferramenta para avançar com políticas progressistas e conter o potencial de crescimento. Trump fez campanha com sua promessa de expandir a exploração de petróleo, o “drill, drill, drill”. O Alternativa para a Alemanha (AfD), que se tornou a segunda força política nacional, prega o negacionismo climático e sonha em proibir carros elétricos. Na Argentina, Javier Milei quis deixar o Acordo de Paris, e não o fez por questões econômicas, o que não impediu que avançasse com pautas como o fim das proteções em áreas sensíveis, como geleiras. Neste contexto, Durão Barroso mencionou uma ferramenta crucial para a política atual: as redes sociais. Para ele, as plataformas incentivam um “narcisismo que leva ao culto da imagem de um líder, e prejudica o que deve ser a missão pública para o bem comum”. — As redes sociais amplificam discursos extremistas. As pessoas falam com seus próprios grupos, e isso expõe não mais apenas uma fragmentação dos países, uma luta entre potências, mas, sim, lutas dentro de nossas sociedades — afirmou. — Parece que são distâncias intransponíveis dentro de nossos países. E a situação está mais fragmentada, mais imprevisível. Mais perigosa. Mas o ex-premier português e ex-presidente do conselho da aliança global de vacinas Gavi (com a qual Trump recentemente voltou a dialogar) também apresentou alguns caminhos para quebrar o ciclo de extremismo e isolacionismo. Alguns deles passam pelo Brasil. — O Brasil é uma das maiores economias do mundo. Tem problemas, mas está em uma posição interessante: é membro do Brics, mas é uma democracia, que tem liberdade de imprensa e de associação. É um país do Sul Global com um sistema político visto em democracias avançadas. E é líder mundial em algumas áreas — opinou Barroso. — O Brasil é um país respeitado, não é um país agressivo, e tem todas as condições de exercer uma influência positiva sobre o mundo. — A ONU está bloqueada, o Conselho de Segurança, por causa do sistema de vetos, está engessado…por isso é importante que as forças médias venham para a frente, que elas não deixem que apenas as grandes potências tenham voz. A reintegração global também depende do setor privado e da sociedade civil. Empresas e organizações por vezes têm o capital necessário para iniciativas importantes que o Estado não dispõe. Desde campanhas contra o desmatamento até o financiamento de pesquisas sobre novas tecnologias de adaptação ambiental e redução de emissões de gases estufa. — Nós precisamos de mais recursos e mais pesquisa, de mais energia. E não é só uma questão de dinheiro: organizações como a Global Citizen podem trazer novo entusiasmo. E isso é importante, uma vez que os políticos são sensíveis à opinião pública — explicou Barroso. — Quando eles se sentem pressionados, dão uma resposta. Ao invés de apenas discursos, partem para a ação. Uma campanha bem dirigida pode dar bons resultados.