Proposta do governo Lula não foi incluída no documento final do evento diante da resistência dos 'petroestados' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 — Foto: Kiara Worth/UN Climate Change RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 18:33 Brasil flexibiliza plano para combustíveis fósseis visando apoio internacional Após resistência de petroestados, o Brasil flexibiliza seu "roadmap" para reduzir o uso de combustíveis fósseis, buscando apoio internacional. A proposta, que não foi incluída no documento final da COP30, visa ser formalizada na COP31, na Turquia. Internamente, divergências entre ministérios atrasam o plano nacional, afetando a credibilidade do governo Lula em liderar um acordo global sobre o tema. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil indicou na sexta-feira que o mapa do caminho global para afastamento dos combustíveis fósseis terá caráter flexível e adaptado às realidades nacionais. O chamado “roadmap” estava entre as principais apostas do Planalto para a COP30, ocorrida em Belém (PA) no fim do ano passado. Entretanto, apesar dos esforços dos negociadores brasileiros e do apoio de cerca de 80 países, a proposta não foi incluída no documento final do evento. O maior foco de resistência veio dos chamados “petroestados”, como Arábia Saudita, Índia e Rússia. O caráter flexível da proposta representa um novo capítulo do esforço da presidência brasileira da COP de aprovar um “roadmap” até a passagem de bastão para o próximo país anfitrião. Os negociadores brasileiros desejam apresentar formalmente o mapa do caminho na COP31, na Turquia, em novembro. Na edição brasileira, a dificuldade de negociação com os “petroestados” levou o documento final da conferência a ignorar o tema da transição energética, o que é interpretado como a principal derrota da COP30 para ambientalistas. A indicação sobre os rumos do documento ocorreu durante a Conferência de Clima de Bonn, na Alemanha. Segundo autoridades brasileiras, a proposta recebeu, até o momento, contribuições de 115 países e 247 autores não estatais. — Na COP30, o presidente Lula fez um chamado político muito claro para construir um roteiro que permita cumprir o mandato acordado em Dubai sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis. A recente crise geopolítica mostrou com muita clareza como os combustíveis fósseis estão ligados a vulnerabilidades, e precisamos lidar com isso no roadmap — afirma o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. 'Roadmap' nacional Determinado pelo presidente Lula, um "roadmap" nacional pelo fim do uso de combustíveis fósseis também encontra dificuldade para sair do papel. Além das divergências internas no governo federal, recentes trocas de ministros e a proximidade das eleições têm ampliado os entraves. O prazo inicial determinado pelo Planalto, para 6 de fevereiro, já está atrasado em mais de quatro meses. Especialistas criticam a demora em um momento no qual o Brasil tenta liderar um acordo global no tema e dizem que a situação afeta a credibilidade internacional de Lula, que apostou especialmente nessa agenda na COP30. Em meio à falta de consenso entre as pastas da Fazenda, Meio Ambiente, Casa Civil e Minas e Energia, não há previsão de convocação da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na qual a proposta final é votada. Os ministérios do Meio Ambiente e da Fazenda defendem um plano novo, de caráter transversal, enquanto a pasta de Minas e Energia quer que as metas sejam diluídas no Plano Nacional de Energia (PNE). Além dos ministérios oficialmente responsáveis pela proposta, pastas como a do Transporte e a do Desenvolvimento e Indústria contribuem nas discussões.