Entendimento é de que o ritmo do debate foi lento e a falta de acordo sobre questões-chave dificultam a implementação das iniciativas da presidência brasileira no ano passado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Reunião Climática em Bonn (Alemanha) — Foto: UN Climate Change / Lara Murillo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 21:45 Frustração na Pré-COP31: Discussões Lentas e Resistência à Transição Energética A reunião pré-COP31 em Bonn, Alemanha, gerou "frustração" entre entidades ambientalistas devido ao ritmo lento das discussões e à falta de acordo em questões-chave. A dificuldade em implementar as iniciativas da presidência brasileira na COP30 foi destacada. O foco da próxima COP na Turquia estará na transição energética e adaptação, com pressão por compromissos concretos. O Brasil propõe um "roadmap" flexível para reduzir o uso de combustíveis fósseis, enfrentando resistência de "petroestados". CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O encontro diplomático realizado em Bonn, na Alemanha, neste mês para adiantar negociações para a COP31 terminou com o sentimento de “frustração”, segundo organizações ambientalistas presentes ouvidas pelo GLOBO. O entendimento predominante é o de que o ritmo do debate foi lento e a falta de acordo sobre questões-chave dificultam a implementação das iniciativas lideradas pela presidência brasileira da COP30, no ano passado. As “tensões” chegaram ao ápice no dia final do encontro, que terminou deixando questões importantes para serem resolvidas apenas na COP3, que será realizada na Turquia em novembro. Entre elas, estão a Meta Global de Adaptação, o Programa de Trabalho de Mitigação e a Cooperação com Outras Organizações Internacionais. Chefe global de política climática e energética da WWF Internacional, Fernanda de Carvalho avalia que as negociações “continuam sendo a espinha dorsal do processo climático global – mas não podem se tornar uma sala de espera para a implementação”. — Bonn mostrou que a agenda climática está se deslocando das promessas para a implementação. Essa mudança é bem-vinda, mas ainda é lenta, desigual e frágil. As iniciativas lideradas pelas presidências sobre combustíveis fósseis, florestas, financiamento e planos climáticos nacionais agora precisam de contornos mais definidos: governança clara, dinheiro real e forte responsabilização. A rede Observatório do Clima avalia que o “encontro preparatório para a COP da Turquia virou tubo de ensaio para os países testarem posições extremistas”. “A palavra mais ouvida entre os delegados que permaneceram em Bonn para o encerramento era ‘decepção’. Alguns manifestaram falta de confiança no processo multilateral. Ninguém assumiu a culpa por nada. Foi um final apropriado para um encontro que havia começado em paz, mas que rapidamente viu as tensões entre os países retornarem ao longo da primeira semana”, diz o Observatório do Clima. Já a ONG The Nature Conservancy Brasil vê a agenda de adaptação como o principal foco de tensão, mas ressalta a existência sinais mais concretos de progresso em outras frentes-chave. “Olhando para a COP31, o cenário que se desenha é de maior pressão por entrega e compromissos concretos dos países. A próxima presidência já delineia uma agenda focada em transição energética, segurança alimentar, cidades resilientes e economia circular, com uma tentativa de integrar agendas globais. Ainda assim, o sucesso desse ciclo vai depender diretamente da capacidade de equacionar o tema do financiamento, sobretudo em adaptação”, avalia. Roadmap brasileiro Em Bonn, o Brasil indicou que o mapa do caminho global para afastamento dos combustíveis fósseis terá caráter flexível e adaptado às realidades nacionais. O chamado “roadmap” estava entre as principais apostas do Planalto para a COP30, ocorrida em Belém (PA) no fim do ano passado. Entretanto, apesar dos esforços dos negociadores brasileiros e do apoio de cerca de 80 países, a proposta não foi incluída no documento final do evento. O maior foco de resistência veio dos chamados “petroestados”, como Arábia Saudita, Índia e Rússia. O caráter flexível da proposta representa um novo capítulo do esforço da presidência brasileira da COP de aprovar um “roadmap” até a passagem de bastão para o próximo país anfitrião. Os negociadores brasileiros desejam apresentar formalmente o mapa do caminho na COP31, na Turquia, em novembro. Na edição brasileira, a dificuldade de negociação com os “petroestados” levou o documento final da conferência a ignorar o tema da transição energética, o que é interpretado como a principal derrota da COP30 para ambientalistas. — Na COP30, o presidente Lula fez um chamado político muito claro para construir um roteiro que permita cumprir o mandato acordado em Dubai sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis. A recente crise geopolítica mostrou com muita clareza como os combustíveis fósseis estão ligados a vulnerabilidades, e precisamos lidar com isso no roadmap — afirma o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.
Agenda pré-COP31 na Alemanha termina com sentimento de 'frustração', avaliam entidades ambientalistas
Entendimento é de que o ritmo do debate foi lento e a falta de acordo sobre questões-chave dificultam a implementação das iniciativas da presidência brasileira no ano passado
Pré-COP31 em Bonn termina com frustração; Brasil propõe roadmap flexível (80 países apoiam), mas petroestados bloqueiam transição de combustíveis. Indefinição sobre energia limpa cria riscos ESG para infraestrutura IT corporativa até COP31 novembro.







