A uma semana da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) do Brasil, o mercado financeiro já deu por encerrado o ciclo de alívios nos juros. A deterioração da economia nos últimos meses já apontava para esse cenário, mas uma tripla ameaça inflacionária nesta quarta-feira (10) confirmou que o clima não deve mudar tão cedo - pelo contrário, pode piorar. Com um desastre contratado, os ganhos do Ibovespa, o índice de referência da bolsa brasileira, que chegaram a ultrapassar 23% de ganhos no acumulado do ano até 14 de abril, minguaram a menos de 5%. E não está longe de zerar o saldo. O Ibovespa cedeu 0,7% hoje, a 168.619 pontos. Na semana, está com perda de 0,24% e, no mês, acumula queda de 3%. Três forças se encontraram hoje e empurraram bolsa para baixo, juros para cima, garantindo o quarto pregão seguido do Ibovespa abaixo dos 170 mil pontos. O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 16,6 bilhões hoje, 9% abaixo da média diária nos últimos 12 meses, de R$ 18,3 bilhões. A escalada militar entre Estados Unidos e Irã, com as ameaças de Donald Trump de retomar os ataques ainda hoje, colocou o petróleo Brent (referência mundial) de volta acima de US$ 93 e reacendeu o medo de energia cara por tempo indefinido. Na segunda frente, mais cedo, a nova pesquisa Genial/Quaest mostrou o atual candidato à reeleição ao Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, abrindo seis pontos sobre Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, no cenário do segundo turno. Esse cenário reduz a expectativa dos grandes investidores de troca na agenda econômica e ajustes na política fiscal - fator que parte do mercado enxergava como catalisador para a bolsa, considerando projeções de melhoras na economia de 2027 em diante. Por fim, mas não menos importante, o índice de inflação ao consumidor americano (CPI) em 4,2% ao ano, o mais alto em três anos, sepultou qualquer esperança de corte de juros nos EUA e, de tabela, apertou o cerco em torno do BC na semana que vem. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saiu de 14,51% para 14,48% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2031 oscilaram de 14,81% para 14,84% ao ano.Já para janeiro de 2036, a taxa seguiu em 14,69% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo. As taxas no contratos de juros futuros mais curtos ficaram estáveis, em sinal de que investidores dão como certa a manutenção da Selic em 14,5% na reunião do Copom semana que vem, enquanto os vencimentos mais longos refletem um horizonte de maior risco fiscal doméstico e global. Por isso, os ativos locais refletem o peso de uma mensagem que ecoa no mercado com mais clareza agora: o ciclo de cortes na taxa básica, que começou em março e já levou a Selic de 15% para 14,5%, pode ter acabado antes de produzir qualquer alívio relevante para a economia real. O Bank of America (BofA) foi mais direto: rebaixou a recomendação para ações brasileiras de compra para neutra, sob a justificativa de que o ciclo de corte ficou "limitado" e "desafiador". O dólar à vista cedeu 0,1%, praticamente estável nesta sessão, fechada a R$ 5,17. Na semana, a moeda americana se valorizou 0,3% contra o real e, no mês, está com alta de 2,6%. No ano até aqui, recuou 5,8% no mercado de câmbio local. A tripla ameaça de hoje não é um evento isolado, e sim um retrato do ambiente que assombra os investidores nos últimos três meses: pressões conjuntas e incontroláveis sobre os preços. E as expectativas de inflação mais quente no mundo todo viraram a mão do mercado em 2026. Ataque à bolsa brasileira O petróleo é o fio que conecta o conflito no Golfo Pérsico à conta de luz e ao combustível. Após a retaliação iraniana com drones e mísseis contra bases americanas, o barril de Brent saltou quase 2%, e Trump prometeu "atacar o Irã com muita força". Esse petróleo caro cria uma corrente de transmissão para os preços que compete com o efeito dos juros altos na economia, então, enquanto o barril estiver acima de US$ 90, o BC fica de mãos atadas. Na bolsa, o efeito é dividido, mas pende muito mais fortemente hoje para o negativo. Embora as ações das petroleiras surfem a alta do barril, o restante do mercado paga a conta. Das 78 ações que compõem o Ibovespa atualmente, 60 desvalorizaram hoje. Com um ataque mais forte à economia real e estrangulamento da política monetária, o cerco ao consumo e a pressão sobre o endividamento das empresas preocupam analistas. Assim, os ativos brasileiros tendem a acompanhar o movimento global de piora de humor e saída de fluxo de emergentes quando o risco geopolítico sobe. Comportamento das ações do Ibovespa em 10/6/2026 Código Nome Abertura Mínima Média Máxima Fechamento Var. % MBRF3 MARFRIG ON 15,35 15,12 15,58 15,96 15,90 2,71 SLCE3 SLC AGRICOLA ON 14,50 14,50 14,70 14,96 14,89 2,27 CXSE3 CAIXA SEGURI ON 17,91 17,74 18,02 18,35 18,35 2,17 PRIO3 PETRORIO ON 61,81 61,81 62,65 63,30 62,88 1,75 PETR3 PETROBRAS ON 45,98 45,98 46,97 47,49 46,81 1,50 CSMG3 COPASA ON 57,18 57,09 58,03 58,54 58,20 1,22 PETR4 PETROBRAS PN 41,21 41,01 41,62 42,04 41,65 1,17 TIMS3 TIM ON 22,11 22,03 22,31 22,44 22,44 1,17 BBSE3 BB SEGURIDADE ON 36,36 36,11 36,61 36,84 36,63 1,05 VIVT3 TELEF BRASIL ON 33,03 32,79 33,16 33,37 33,26 0,94 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,13 16,13 16,22 16,28 16,28 0,43 BRKM5 BRASKEM PNA 9,15 9,09 9,43 9,71 9,28 0,43 ITUB4 ITAU UNIBANCO PN 39,03 38,65 39,14 39,59 39,36 0,36 CURY3 CURY S/A ON 30,08 29,80 30,24 30,40 30,30 0,33 BEEF3 MINERVA ON 3,62 3,60 3,63 3,67 3,65 0,27 HAPV3 HAPVIDA ON 11,47 11,12 11,30 11,47 11,41 0,26 AXIA3 AXIA ENERGIA ON 50,10 49,76 50,33 50,67 50,53 0,14 ITSA4 ITAUSA PN 12,54 12,38 12,53 12,65 12,59 0,08 GOAU4 GERDAU MET PN 10,24 10,12 10,28 10,37 10,32 -0,10 SMFT3 SMART FIT ON 18,69 18,66 18,79 18,98 18,77 -0,16 GGBR4 GERDAU PN 23,27 23,06 23,40 23,53 23,43 -0,17 VBBR3 VIBRA ON 29,05 29,00 29,23 29,47 29,32 -0,27 DIRR3 DIRECIONAL ON 12,66 12,50 12,66 12,81 12,81 -0,31 YDUQ3 YDUQS PART ON 8,81 8,50 8,68 8,83 8,83 -0,34 PSSA3 PORTO SEGURO ON 48,63 48,12 48,60 49,00 48,48 -0,37 BRAV3 BRAVA ON 20,86 20,78 21,08 21,17 21,17 -0,38 CSNA3 SID NACIONAL ON 6,03 5,97 6,12 6,27 6,04 -0,49 BBDC3 BRADESCO ON 15,12 14,99 15,06 15,13 15,06 -0,53 BBAS3 BRASIL ON 19,12 18,87 19,01 19,18 19,00 -0,58 SBSP3 SABESP ON 27,60 27,49 27,70 28,12 27,52 -0,61 SANB11 SANTANDER BR UNIT 27,05 26,83 27,07 27,20 27,00 -0,63 TAEE11 TAESA UNIT 39,24 38,65 38,92 39,26 38,99 -0,64 BRAP4 BRADESPAR PN 21,72 21,56 21,71 21,82 21,69 -0,69 CMIN3 CSN MINERACAO ON 4,32 4,27 4,34 4,38 4,32 -0,69 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 43,56 43,12 43,38 43,66 43,28 -0,73 CMIG4 CEMIG PN 10,80 10,68 10,77 10,81 10,73 -0,74 HYPE3 HYPERA ON 20,90 20,62 20,84 21,12 20,90 -0,85 CSAN3 COSAN ON 3,37 3,35 3,39 3,44 3,37 -0,88 EQTL3 EQUATORIAL ON 38,57 38,34 38,51 38,86 38,41 -0,90 BBDC4 BRADESCO PN 17,35 17,16 17,26 17,41 17,26 -0,98 VALE3 VALE ON 77,92 77,20 77,58 78,15 77,70 -1,02 KLBN11 KLABIN S/A UNT 17,04 16,80 16,91 17,18 16,86 -1,06 UGPA3 ULTRAPAR ON 25,15 24,93 25,06 25,20 24,99 -1,15 ALOS3 ALLOS ON 26,94 26,52 26,65 26,94 26,68 -1,19 LREN3 LOJAS RENNER ON 14,90 14,55 14,74 14,92 14,82 -1,27 VIVA3 VIVARA ON 20,85 20,69 20,91 21,19 20,73 -1,29 RAIL3 RUMO S.A. ON 13,50 13,30 13,46 13,74 13,30 -1,41 SUZB3 SUZANO S.A. ON 42,20 41,28 41,48 42,20 41,45 -1,43 USIM5 USIMINAS PNA 10,94 10,81 10,97 11,22 10,96 -1,44 ENGI11 ENERGISA UNT 46,71 45,91 46,16 46,71 45,95 -1,56 IGTI11 IGUATEMI S.A UNT 24,82 24,28 24,44 24,82 24,45 -1,61 MOTV3 MOTIVA SA ON NM 13,98 13,75 13,83 13,98 13,80 -1,64 MULT3 MULTIPLAN ON 28,49 27,98 28,14 28,49 28,05 -1,65 COGN3 COGNA ON 2,38 2,33 2,35 2,39 2,35 -1,67 POMO4 MARCOPOLO PN 5,78 5,70 5,75 5,79 5,70 -1,72 EGIE3 ENGIE BRASIL ON 33,61 33,23 33,50 33,83 33,24 -1,74 B3SA3 B3 ON 15,21 14,90 15,09 15,28 15,12 -1,75 ISAE4 ISA ENERGIA PN 27,24 26,65 26,96 27,24 26,87 -1,79 CYRE3 CYRELA REALT ON 20,68 19,98 20,26 20,68 20,37 -1,83 RADL3 RAIA DROGASIL ON 17,99 17,76 17,90 18,22 17,76 -1,88 AURE3 AUREN ON 11,74 11,58 11,65 11,79 11,58 -1,95 CEAB3 CEA MODAS ON 11,10 10,72 10,88 11,14 10,96 -2,06 CPLE3 COPEL ON 14,53 14,20 14,37 14,53 14,28 -2,06 WEGE3 WEG ON 43,13 42,07 42,37 43,22 42,39 -2,17 ASAI3 ASSAI ON 8,36 8,15 8,25 8,41 8,20 -2,26 AZZA3 AZZAS 2154 ON 17,16 16,65 16,84 17,21 16,85 -2,26 RECV3 PETRORECSA ON 10,72 10,49 10,65 10,83 10,49 -2,33 RDOR3 REDE D OR ON 33,16 32,41 32,75 33,24 32,50 -2,52 FLRY3 FLEURY ON 15,18 14,70 14,93 15,21 14,82 -2,56 BPAC11 BTGP BANCO UNT 50,57 48,73 49,52 50,57 49,20 -3,24 MRVE3 MRV ON 5,33 5,17 5,23 5,34 5,19 -3,35 ENEV3 ENEVA ON 24,33 23,87 24,10 24,60 23,87 -3,36 EMBJ3 EMBRAER ON 72,43 69,42 70,40 72,54 69,65 -4,23 RENT3 LOCALIZA ON 40,22 39,12 39,58 40,28 39,12 -4,24 VAMO3 VAMOS ON 2,88 2,76 2,81 2,89 2,76 -4,50 NATU3 NATURA ON 9,16 8,40 8,63 9,16 8,68 -5,65 MGLU3 MAGAZINE LUIZA ON 5,46 5,12 5,27 5,47 5,12 -6,74 TOTS3 TOTVS ON 30,79 28,43 29,31 30,89 28,63 -7,02
Ameaça tripla põe em xeque corte na Selic em junho e comprime ganhos acumulados na bolsa
Saldo do Dia: Alta do Ibovespa no ano, que chegou a passar de 23% em abril, minguou a menos de 5% - e não está longe de zerar












