Quem controla os dados controla a inteligência artificial (IA). Essa foi a principal mensagem do encontro que reuniu Silvio Meira, cientista-chefe da TDS.Company; Carol Sevciuc, CTO e CIO da PepsiCo; e Rodrigo Assad, diretor de Inovação da Claro, na última terça-feira, 9, no estande da Claro empresas, no Web Summit Rio. A mediação foi de Luiz Pacete, jornalista e LinkedIn Top Voice. Os especialistas discutiram como a governança se tornou um fator decisivo para transformar a IA em valor para os negócios. O desafio já não é apenas adotar a tecnologia, mas garantir o uso estratégico, seguro e responsável dos dados que a alimentam. Silvio Meira lembrou que a IA representa uma mudança cognitiva ampla, que desafia as pessoas e as organizações a adotarem uma nova postura. “As empresas precisam prestar mais atenção no valor, não no custo. Elas devem olhar não apenas para as próprias iniciativas, mas para o ecossistema como um todo”, argumentou. “A IA não pode virar um brinquedo caro na mão das pessoas”, provocou, por sua vez, Rodrigo Assad. “Sem redesenhar o modelo de negócios, a IA não vai resolver todos os problemas. É preciso construir o futuro a partir do futuro, e não do presente”, completou. Silvio Meira, cientista-chefe da TDS.Company — Foto: Marco Sobral/GLab As empresas precisam entender que o futuro não está em usar a IA para substituir pessoas; ela é fundamental para rever processos. Os problemas do mundo com IA não são os mesmos que existiam antes” Novas formas de gestão A governança é estratégica nesse cenário, especialmente quando a organização consegue repensar sua própria estrutura de tomada de decisão, apontou a CTO e CIO da PepsiCo. “Não importa quantos squads uma companhia tem. O essencial, para a transformação digital, é quebrar silos. Às vezes, montamos um grupo multifuncional, mas, se ele não tem o direcional para a tomada de decisão, fica difícil." A autonomia é acompanhada por uma visão estratégica, baseada em poucas metas convergentes e mais amplas do que o alcance de uma área sozinha, recomenda ela. “Não basta utilizar a tecnologia para digitalizar um processo atual, mas que não vai me levar para o que eu preciso no futuro”, indicou. Nesse contexto, orquestração é a chave para garantir que as organizações possam se redefinir continuamente a partir das perspectivas proporcionadas pela tecnologia, indicou Silvio Meira. “As empresas precisam entender que o futuro não está em usar a IA para substituir pessoas; ela é fundamental para rever processos. Os problemas do mundo com IA não são os mesmos que existiam antes”, declarou o cientista-chefe da TDS.Company. As reflexões compartilhadas no painel fazem parte de uma discussão mais ampla sobre os caminhos da transformação digital nas organizações, que permearam os debates no Web Summit Rio, evento do qual a Claro é parceira de tecnologia oficial pelo quarto ano consecutivo. Seja nos palcos principais ou no estande da empresa, IA, cloud, dados e open innovation estiveram no centro das discussões do maior encontro de tecnologia da América do Sul. Assista à série “Vamos habilitar o próximo novo? - Conversas” e descubra os pilares que habilitam a IA.