* Por Igor Senra, CEO e cofundador da Cora
Em um evento como o Web Summit Rio, é natural que boa parte das conversas gire em torno das próximas grandes tecnologias. Inteligência artificial, automação, agentes, dados e novas infraestruturas aparecem como assuntos capazes de transformar mercados inteiros.
No painel em que participei na edição deste ano, levei uma preocupação que já faz parte da minha visão sobre o futuro das pequenas e médias empresas – a próxima grande inovação para esse público não será necessariamente ter mais ferramentas à disposição. Será ter menos complexidade para administrar.
Essa diferença importa, pois o pequeno empreendedor brasileiro já convive com uma rotina fragmentada e complexa demais. Ele precisa vender, cobrar, pagar fornecedores, acompanhar o caixa, lidar com impostos, organizar documentos, negociar prazos, contratar pessoas e responder a imprevistos que não esperam o fechamento do mês. Quando uma solução digital exige mais tempo, mais entendimento técnico e mais etapas operacionais, ela pode até parecer moderna, mas não necessariamente melhora a vida de quem está tocando o negócio.
Durante muito tempo, o mercado financeiro tratou pequenas empresas como uma extensão da pessoa física ou como uma versão reduzida de grandes companhias. Nenhuma das duas visões representa realmente o que acontece de verdade. Uma PME tem necessidades próprias, mas nem sempre tem uma área financeira estruturada, um time jurídico disponível ou especialistas dedicados a cada decisão. Muitas vezes, a pessoa que vende também cobra, paga, e resolve problemas – tudo ao mesmo tempo. A tecnologia que ignora esse contexto acaba transferindo para o empreendedor uma complexidade que deveria absorver.






