Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada e uma das contrapartidas costuma ser a devolução de ativos, o que o banqueiro resiste — Foto: Agência O Globo A nova proposta de delação de Daniel Vorcaro, entregue à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), traz anexos que envolvem os ex-governadores Ibaneis Rocha (Distrito Federal) e Cláudio Castro (Rio de Janeiro), o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e lideranças do PT da Bahia. Ibaneis e Castro já aparecem nos desdobramentos das investigações da PF. No caso de Ibaneis, o foco está na negociação da compra do Banco Master pelo BRB. A Polícia Federal encontrou mensagens do então governador cobrando do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — hoje preso — uma solução para o negócio. Ibaneis nega ter sofrido qualquer influência política ou de Vorcaro. Cláudio Castro, por sua vez, é delatado em relação aos aportes milionários da Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. Lideranças políticas do PT da Bahia são citadas em operações envolvendo o cartão de benefício consignado Crescesta, destinado a servidores públicos. Já Antônio Rueda aparece como recebedor de repasses milionários do banco de Vorcaro para um escritório de advocacia ligado a ele. Ele também é apontado como um dos responsáveis pela indicação da antiga diretoria da Rioprevidência. Rueda nega irregularidades e alega que seu escritório prestou serviços legítimos ao Master. As informações foram publicadas pelo colunista Igor Gadelha, do site Metrópoles, e confirmadas pela coluna. Conforme revelou a colunista Malu Gaspar, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi citado nas duas propostas de colaboração. Voracro admitiu ter feito, via caixa 2, repasses de R$ 20 milhões para a campanha de reeleição ao Senado do então candidato do PSD em Minas Gerais. Interlocutores próximos de Silveira afirmam que ele não conhecia Vorcaro à época e por isso acham que a alegação do dono do Master não faz sentido.