Criação dos 'posteiros' pode ser implementada pela Câmara — Foto: Reprodução O dilema do PL dos Postes, que pode ser votado hoje na Câmara, está longe de acabar. O principal motivo seria uma disputa bilionária: segundo estimativas da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), uma eventual obrigatoriedade na contratação de empresas terceirizadas para fiscalizar e organizar os fios nos postes pode encarecer a conta de luz dos brasileiros em cerca de R$ 2 bilhões por ano. O deputado Juscelino Filho (União-MA), relator da proposta, já sinalizou que há grande chance de o texto aprovado pelo Senado sofrer alterações na Câmara. O principal ponto de embate é justamente a figura dos chamados "posteiros" — empresas responsáveis pela fiscalização, manutenção e reordenamento dos cabos instalados nos postes. Enquanto o Senado deixou essa contratação como uma possibilidade, a Advocacia-Geral da União (AGU) defende que ela seja obrigatória, posição que pode ser incorporada pela Câmara ao texto final. As distribuidoras de energia já se articulam para contestar essa mudança. Hoje, os postes são administrados pelas concessionárias, que alugam espaço para empresas de telefonia e internet. De acordo com dados da Abradee, com base em dados da Anatel, essa atividade gera cerca de R$ 3,4 bilhões por ano em receitas. Desse total, aproximadamente 60% — o equivalente a R$ 2 bilhões — é utilizado para reduzir os custos das tarifas de energia elétrica. Na prática, argumentam as distribuidoras, a criação de uma estrutura terceirizada para gerir os postes eliminaria essa fonte de compensação e pressionaria as contas de luz. Do outro lado, os "posteiros" são uma das principais bandeiras da Anatel e de Lula. A agência avalia que empresas especializadas teriam mais capacidade para fiscalizar ocupações irregulares, organizar a fiação que hoje provoca acidentes e poluição visual nas cidades e garantir condições mais equilibradas de competição entre operadoras de telecomunicações, reduzindo a concentração de mercado nas mãos das distribuidoras. Caso o texto seja aprovado com alterações, ele volta para o Senado.
O impasse dos ‘posteiros’ que pode encarecer a conta de luz em R$ 2 bi por ano, segundo a Abradee
O impasse dos ‘posteiros’ que pode encarecer a conta de luz em R$ 2 bi por ano, segundo a Abradee









