Fumaça sobe após ataque israelense em Tiro, no sul do Líbano; pela primeira vez, Israel ordenou a evacuação de toda a cidade antes dos bombardeios — Foto: Kawant Haju/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 15:28 Conflito Israel-Irã: EUA buscam desescalar tensão em meio à crise O conflito entre Israel e Irã, com participação dos EUA, está em um momento crítico, segundo Uriã Fancelli, especialista em Relações Internacionais. Trump busca desescalar as tensões, mas a guerra segue seu próprio rumo, com riscos de ampliação no Líbano e Estreito de Ormuz. A resposta dos EUA pode ser calibrada devido à Copa, sinalizando consequências ao Irã sem escalar o conflito. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Completando três meses de guerra, o presidente Donald Trump vem tentando desescalar o conflito no Oriente Médio e chegou a orientar que Israel e Irã parassem de "atirar" um contra o outro. Só que a maior dificuldade de qualquer guerra é que, depois que começa, ganha dinâmica própria, salienta o analista Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais pelas universidades de Groningen e Estrasburgo. - Depois da troca de ataques entre Israel e Irã e da tentativa dos Estados Unidos de empurrar as duas partes para uma desescalada, o risco de uma guerra maior continua enorme. O que a gente tem observado ultimamente é uma tentativa dele de desescalar essa guerra. Tanto que, nos últimos dias, ele teria tido uma discussão bastante acalorada com Benjamin Netanyahu, justamente porque não quer que nada atrapalhe esse esforço de contenção. Ele realmente acredita que as negociações estão andando. Segundo ele, o risco de um conflito ainda maior passa principalmente por duas frentes. A primeira é o Líbano: Israel segue realizando operações no país, o que ajudou a provocar os ataques iranianos do fim de semana. A segunda é o Estreito de Ormuz: Trump publicou nas redes que o Irã derrubou um helicóptero que patrulhava a região durante a noite e prometeu uma retaliação “por necessidade”. - Qual será a resposta norte-americana e, principalmente, que tipo de reação iraniana ela pode desencadear? O Irã pode responder contra Israel, contra bases dos Estados Unidos na região ou contra aliados do Golfo. Ou seja, a guerra que muitos tentam conter já está criando seus próprios caminhos de escalada. O fato de ser uma das sedes da Copa do Mundo pode também calibrar a potência desse ataque norte-americano, argumenta o analista. - Como ele praticamente ficou obrigado a dar algum tipo de resposta, a tendência, até por causa da Copa, é que essa reação seja mais calibrada, algo para sinalizar ao regime iraniano que suas ações terão consequências, mas sem necessariamente abrir uma nova fase de escalada. E, se for uma resposta mais específica e pontual, é possível que ela venha em um prazo menor, porque talvez não exija uma preparação militar tão longa ou complexa. É importante lembrar que esse tipo de retaliação é mais simbólica, com impacto militar limitado. Muitas vezes, ela serve mais para marcar posição, mostrar que uma ação teve consequência e, ao mesmo tempo, evitar que a guerra entre em uma nova fase de escalada. O analista disse que isso pode ser visto até pela mudança de tom de Trump nos posts, bem diferente daquela que vinha sendo adotada até aqui. - Antes, ele vinha numa linha muito mais agressiva, falando em obliterar o Irã, em acabar com uma civilização inteira. Agora, no post, ele tenta enquadrar a possível reação como uma resposta por necessidade. Ou seja, não como uma escolha política para escalar a guerra, mas como algo que ele estaria sendo obrigado a fazer diante da ação iraniana.