Os cerca de quatro anos que Monique Medeiros permaneceu detida antes de seu julgamento já seriam suficientes para praticamente livrá-la da prisão mesmo se tivesse sido condenada por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar.
Monique foi inicialmente denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por homicídio doloso (com intenção) no caso da morte de seu filho Henry Borel, em 2021. O Tribunal do Júri, no entanto, entendeu que se tratava de um caso de homicídio culposo. O entendimento fez com que o julgamento coubesse à juíza Elizabeth Machado Louro, uma vez que os jurados só analisam crimes dolosos contra a vida.
Ao final, a magistrada concedeu a Monique o chamado perdão judicial —um instrumento previsto na legislação aos casos em que "as consequências da infração atingem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária".
Além da perda do filho, a magistrada entendeu que a mãe de Henry também foi alvo de ataques misóginos. Monique, por outro lado, foi condenada a um ano e quatro meses de prisão por omissão diante da tortura sofrida pelo filho, pena já considerada cumprida ante o tempo em que ela permaneceu detida.
Também seria assim, dizem especialistas ouvidos pela Folha, se ela fosse responsabilizada por homicídio culposo.










