O ex-vereador Jairinho foi sentenciado a 43 anos e 9 meses de prisão. Já Monique Medeiros recebeu um raro perdão judicial por homicídio culposo, sendo condenada somente por omissão. Ela já deixou a prisão. Jairinho e Monique Medeiros durante último dia do julgamento do caso Henry — Foto: Brunno Dantas / TJRJ RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/06/2026 - 23:05 Jairinho condenado a 43 anos por morte de Henry; Monique é perdoada O ex-vereador Jairinho foi condenado a 43 anos de prisão pelo assassinato do menino Henry Borel, de 4 anos, enquanto Monique Medeiros, mãe da criança, recebeu perdão judicial por homicídio culposo, sendo condenada apenas por omissão e já estando em liberdade. O julgamento, um dos mais longos do Rio, destacou-se pela divergência entre acusação e defesa sobre a responsabilidade de cada réu. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Henry Borel tinha 4 anos quando morreu, em março de 2021, após chegar desacordado ao Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, com múltiplas lesões pelo corpo e em parada cardiorrespiratória. Cinco anos depois, o 2º Tribunal do Júri da Capital condenou, na madrugada de ontem, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino. Os jurados reconheceram que ele foi responsável pelo homicídio duplamente qualificado da criança, além dos crimes de tortura e coação no curso do processo. Já Monique Medeiros, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, recebeu perdão judicial da juíza Elizabeth Machado Louro e foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho. Ela teve o alvará de soltura expedido e já está em liberdade. Juíza citou a maternidade e sofrimento ao dar perdão judicial a Monique. Os destinos opostos dos réus encerraram um dos júris mais longos da história recente do Estado do Rio. Durante onze dias, acusação e defesa travaram sucessivos embates sobre as circunstâncias da morte de Henry, as conclusões dos laudos periciais e a responsabilidade de cada acusado. Jairinho optou por não enfrentar a leitura da sentença no plenário. Foi para o corredor. Antes, ao longo do último dia de julgamento, ele manteve a mesma postura vista nas sessões anteriores: fez anotações, consultou documentos e trocou observações discretas com os advogados. Um dos únicos momentos em que demostrou emoção ocorreu durante o interrogatório, quando chorou ao negar as acusações. A reação de Monique foi outra. Assim que a magistrada concluiu a leitura do veredito, a ex-professora, vestida de branco, chorou e abraçou seus defensores. Pouco depois, voltou os olhos para a área destinada aos familiares. Ao vê-los, Monique chorou novamente. Com as mãos, fez um coração e, em seguida, encostou uma delas na divisória. Insatisfação do pai Leniel Borel, pai de Henry, por sua vez, não esboçou reação imediata à condenação de Jairinho, mas demonstrou insatisfação ao ouvir o desfecho de Monique, sua ex-mulher. — Mataram meu filho mais uma vez. Jairo foi um monstro, perverso, sádico. Mas ela foi muito pior — afirmou. A acusação sustentou que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho e optou por não impedir que elas continuassem. A defesa, por sua vez, argumentou que ela era vítima de violência doméstica e manipulação psicológica, além de não ter conhecimento da gravidade do que ocorria. O promotor Fábio Vieira dos Santos afirmou ao GLOBO que os jurados haviam reconhecido inicialmente, por 4 votos a 3, que Monique Medeiros praticou omissão dolosa. Segundo ele, a juíza Elizabeth Louro determinou a repetição do quesito por entender que poderia haver dúvida entre os jurados sobre as penas previstas. Após a nova votação, o entendimento mudou para omissão culposa: — Numa primeira quesitação, Monique foi responsável pela morte dolosa. Ela teria que ser condenada. Apesar do perdão judicial relacionado ao homicídio culposo, Monique foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho. A pena fixada foi de 1 ano e 4 meses de detenção em regime aberto, considerada integralmente cumprida em razão do período já passado por ela presa. 'Mamãe, o Jairo me empurrou e eu caí da cama', diz Monique ao relatar conversa com Henry A defesa de Monique celebrou o resultado. — A resposta dos jurados é o que a sociedade precisava. Eles entraram lá pressionados — disse Florence Rosa, advogada da ex-professora. Os jurados acolheram a principal tese apresentada pelo Ministério Público: a de que Jairinho submeteu Henry a agressões que culminaram na morte da criança. O Conselho de Sentença também reconheceu a prática de tortura e de coação no curso do processo. Na dosimetria, a magistrada fixou pena de 35 anos, 6 meses e 20 dias pelo homicídio duplamente qualificado, 6 anos e 3 meses pela tortura e 2 anos pela coação, totalizando 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. Veja imagens do caso Henry 1 de 25 Laudo do Instituto Médico- Legal (IML) constatou muitas lesões espalhadas pelo corpo do menino, infiltrações hemorrágicas nas partes frontal, lateral e posterior da cabeça, contusões no rim, no pulmão e no fígado. A mãe afirmou acreditar que ele tenha caído da cama e batido a cabeçaReprodução / Instagram 2 de 25 Coletiva sobre a conclusão do inquérito sobre a morte do menino Henry Borel. Da esquerda para a direita estão: Marcos Kac (promotor do caso), o delegado Antenor Lopes (diretor da DGPC), Henrique Damasceno (delegado titular da 16ª DP), Denise Rivera (perita criminal) e Ana Paula Medeiros (delegada-adjunta da16ª DP)Agência O Globo X de 25 Publicidade 25 fotos 3 de 25 O delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), Henrique Damasceno, deu uma entrevista coletiva sobre a conclusão do inquérito que apurou a morte de Henry. "A única pessoa calada foi o Henry. Ele pediu ajuda e não foi ajudado", disse o investigadorAgência O Globo 4 de 25 Monique Medeiros, mãe do menino Henry, exibe a tatuagem feita para esconder uma homenagem ao ex-marido nas redes sociais. O desenho foi feito no dia em que Monique pediu que Jairinho "pagasse suas coisas" para não prejudicá-loReprodução X de 25 Publicidade 5 de 25 Os avós de Henry com o menino ainda bebê. 'Me sinto muito culpada', disse mãe do menino ao pai uma semana após morte. Conversa com o avô da criança faz parte do conteúdo recuperado pela polícia no celular de Monique: 'Tudo foram escolhas minhas', disse ela em outro trechoReprodução 6 de 25 Henry em sua última festa de aniversário: pai compartilhou foto nas redes sociais no dia em que o menino faria 5 anosArquivo pessoal X de 25 Publicidade 7 de 25 Monique revela 'humilhações e agressões' em carta sobre a relação com Jairinho. Carta foi escrita na última sexta-feira (23), no Hospital Penitenciário Hamilton Agostinho, no Complexo Penitenciário de Gericinó, onde recebe tratamento contra a Covid-19. A professora descreve uma rotina de violências, humilhações e crises de ciúmes do namorado, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido)Reprodução 8 de 25 Dr. Jairinho e Monique Medeiros, em fotos feitas no ingresso do casal no sistema penitenciário Agência O Globo X de 25 Publicidade 9 de 25 Vereador Dr. Jairinho, preso, ao lado de diretor de presídio. Na imagem ele come um sanduíche que o diretor entregou para eleReprodução 10 de 25 O advogado André Françao, que representava Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, Barreto renunciou à defesa do vereador no casoAgência O Globo X de 25 Publicidade 11 de 25 Doutor Jairinho durante discurso na Câmara de vereadores, onde os sete membros do Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores decidiram, por unanimidade, abrir o processo de cassação do mandato do vereadorAgência O Globo 12 de 25 Dr. Jairinho foi preso junto com Monique, mãe do menino Henry, por tentar interferir na investigação do caso. Segundo a polícia, o casal será indiciado por tortura e homicídio duplamente qualificado, além de poder perder o mandato na Câmara dos Vereadores do RioAgência O Globo X de 25 Publicidade 13 de 25 Monique Medeiros, mãe do menino Hnery cumpre prisão preventiva e será indiciada por tortura e homicídio duplamente qualificadoAgência O Globo 14 de 25 Peritos chegam ao edifício Majestic para fazer a reconstituição da morte do menino HenryAgência O Globo X de 25 Publicidade 15 de 25 Câmera encontrada por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca) no quarto de Henry. Anotação recuperada em celular de Monique Medeiros da Costa e Silva expõe sua vontade de instalação do equipamento dentro de imóvel no MajesticReprodução 16 de 25 Edifício Majestic, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde o menino Henry vivia com a mãe e o padrastoReprodução / TV Globo X de 25 Publicidade 17 de 25 Henry no colo da mãe enquanto Dr. Jairinho faz um carinho neleReprodução 18 de 25 A mãe de Henry, Monique Medeiros, e o padrasto, o vereador Dr. Jairinho, chegam à 16ª DP (Barra) para ser ouvidos como testemunhasAgência O Globo X de 25 Publicidade 19 de 25 Polícia cumpre mandado na casa da família de Monique, em Bangu, Zona Oeste do RioAgência O Globo 20 de 25 Leniel Borel de Almeida em entrevista ao Fantástico: 'Acordo de manhã chorando. Tem que ter muita força, cara. E o que eu sei é que esse menino não pode ter morrido em vão'Reprodução / TV Globo X de 25 Publicidade 21 de 25 Dr. Jairinho na Câmara dos Vereadores do Rio. Ele era padrasto de HenryAgência O Globo - 23/05/2019 22 de 25 Henry Borel Medeiros tinha 4 anos quando morreu na madrugada do dia 8 de março em condomínio na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde morava com a mãe e o padrasto. A causa da morte, segundo laudo do IML, foi "hemorragia interna causada pelo rompimento do fígado" Reprodução / Instagram X de 25 Publicidade 23 de 25 O pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, que é separado da mãe do menino, tem publicado fotos e mensagens para o menino. Ela diz ainda esperar respostasReprodução / Instagram 24 de 25 Em trocas de mensagens entre o pai e a mãe, Monique Medeiros, foi revelado que Henry não gostava de voltar para a casa, onde vivia com Monique Medeiros e o padrastro, o vereador Dr. JairinhoReprodução / Instagram X de 25 Publicidade 25 de 25 Monique com o filho HenryReprodução TV Globo Veja imagens do caso Henry Ao justificar a pena, Elizabeth Machado Louro afirmou que Jairinho demonstrou uma “personalidade insidiosa perfeitamente apta a levar ao engano e à dissimulação”. Mais 11 a 12 anos preso A defesa estima que Jairinho permanecerá entre 11 e 12 anos em regime fechado antes de obter eventual progressão. A projeção leva em consideração os cerca de cinco anos já cumpridos desde 2021 e a possibilidade de remição por trabalho no sistema prisional. Os advogados ressaltam, porém, que os cálculos oficiais ainda não foram realizados. — Ocorreu uma série de nulidades no decorrer do julgamento e certamente esse júri será anulado — disse Rodrigo Faucz, advogado de Jairinho. Além da pena criminal, a juíza determinou que Jairinho pague R$ 400 mil em indenização por danos morais a Leniel. Segundo a magistrada, o sofrimento causado pela morte do filho dispensa demonstração específica do dano. Elizabeth Louro também manteve a prisão de Jairinho, dizendo que a medida é necessária para garantia da ordem pública.