Julgamento encerrado durante a última madrugada condenou Jairinho a 43 anos de prisão, e concedeu perdão a Monique Medeiros Jairinho e Monique Medeiros durante último dia do julgamento do caso Henry — Foto: Brunno Dantas / TJRJ RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/06/2026 - 12:43 Caso Henry Borel: Jairinho condenado; Monique ganha perdão judicial O julgamento do caso Henry Borel concluiu com Jairinho condenado a 43 anos por homicídio qualificado, tortura e coação, enquanto Monique Medeiros recebeu perdão judicial após a acusação de homicídio doloso ser desclassificada. A juíza Elizabeth Louro destacou a "personalidade insidiosa" de Jairinho e criticou o linchamento social sofrido por Monique, que foi visto como uma reação desproporcional influenciada por normas patriarcais. O Ministério Público planeja recorrer da decisão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O relógio já marcava 1h56 desta quinta-feira, entrando no 11º dia de julgamento, quando a juíza titular do 2º Tribunal do Júri, Elizabeth Machado Louro, terminou de ler a sentença que condenou Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e concedeu o perdão judicial a Monique Medeiros da Costa e Silva. O ex-casal estava sentado no banco dos réus pela morte de Henry Borel em março de 2021, menino que tinha 4 anos na ocasião. Além da descrição do perfil do ex-vereador, a magistrada também mencionou o papel em que a mulher é colocada na sociedade ao falar sobre o "linchamento" sofrido pela mãe de Henry nos últimos anos. Confira abaixo as frases da sentença: Personalidade de Jairinho Condenado a 43 anos: Jairinho durante o último dia de julgamento, que terminou já na madrugada com a leitura da sentença — Foto: Brunno Dantas / TJRJ Último a ser ouvido durante o julgamento, Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias por homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Além disso, o ex-vereador do Rio irá pagar uma indenização de R$ 400 mil a Leniel Borel, hoje vereador, pai de Henry, por danos morais. Durante a leitura da sentença, Elizabeth Louro destacou o seguinte: Jairinho tem "personalidade insidiosa, perfeitamente apta ao engano e à dissimulação" ("insidioso" é equivalente a "traiçoeiro", com gentileza simulada para esconder natureza truculenta);O réu condenado agiu com "violência desproporcional";A magistrada mencionou ainda a "rara e desemesurada covardia" de Jairinho. O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, durante o julgamento pela morte de Henry Borel — Foto: Brunno Dantas/TJRJ Sociedade 'desproporcional' com Monique Caso Henry: Monique Medeiros acena para a família após o perdão judicial — Foto: Alexandre Cassiano Já Monique foi condenada a 1 ano e 4 meses de prisão pelo crime de tortura, mas o entendimento da juíza titular do 2º Tribunal do Júri foi que esse tempo já foi cumprido durante a prisão preventiva da ré. Já a acusação de homicídio doloso foi desclassificada para homicídio culposo, com o perdão judicial aplicado pela magistrada, que fez um forte discurso sobre o papel da mulher na sociedade. — O papel culturalmente reservado à mulher nos moldes arcaicos não só dela exige ser mãe, mas muito além: a mãe perfeita. Mãe suficiente não basta — afirmou Elizabeth Louro, que entendeu que a mãe de Henry já sofreu um castigo severo o suficiente. Confira as frases da magistrada: A "reação desproporcional e desmesurada da sociedade em geral em face da conduta" de Monique foi destacada por Elizabeth Louro;Para a juíza, tratou-se de um atitude "claramente discriminatória de gênero, influenciada pela cultura patriarcal";"Fosse um pai e não a mãe na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado", avaliou a magistrada;Houve um "massacre nas redes sociais" contra Monique Medeiros, uma perseguição à sua honra, pelo entendimento da juíza. Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, chora após receber perdão judicial — Foto: Brunno Dantas/TJRJ Mais de uma semana de julgamento A juíza Elizabeth Machado Louro durante a sentença do Caso Henry — Foto: Brunno Dantas/TJRJ A decisão foi anunciada após dez dias de julgamento, marcados por dezenas de depoimentos, confrontos entre acusação e defesa, exibição de vídeos, laudos periciais e os interrogatórios dos dois réus. Durante todo o processo, a acusação sustentou que Jairinho submeteu Henry a sucessivas agressões que culminaram na morte da criança e que Monique tinha conhecimento das violências praticadas contra o filho. As defesas negaram as acusações. Os advogados de Jairinho defenderam sua inocência e questionaram a investigação. Já a defesa de Monique sustentou que ela não tinha conhecimento das agressões e foi vítima de violência psicológica e manipulação dentro da relação. Ao fim do julgamento, a defesa de Jairinho alegou uma "série de nulidades" e afirmou à imprensa que vai recorrer, em prol da anulação do júri e a marcação de um novo julgamento ao ex-vereador. Já o perdão a Monique — que teve sair do presídio ainda nesta quinta-feira — também gerou reações na saída do tribunal. O promotor Fábio Vieira, do Ministério Público do Rio, disse que irá recorrer dessa decisão, entendendo que a mãe de Henry também deveria ter sido condenada por homicídio doloso. Leniel Borel, pai de Henry, por sua vez, classificou como um "absurdo" o entendimento da juíza sobre Monique ser alvo de "misoginia". — Mataram meu filho mais uma vez — declarou Leniel. Leniel Borel durante julgamento de Jairinho e Monique Medeiros pela morte de Henry — Foto: Brunno Dantas/TJRJ
Juíza cita 'personalidade insidiosa', cobrança por 'mãe perfeita' e reação social em sentença do caso Henry Borel
Julgamento encerrado durante a última madrugada condenou Jairinho a 43 anos de prisão, e concedeu perdão a Monique Medeiros











