Teerã transformará o bloqueio naval estabelecido pelos Estados Unidos em mais uma derrota para o “inimigo”, afirmou o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em uma mensagem publicada em seu canal no Telegram nesta segunda-feira (8). Foi u primeiro comentário público depois da nova escalada de tensão no conflito, com ataques mútuos entre Israel e Irã. Ghalibaf atribuiu as recentes tensões à violação do cessar-fogo e ao bloqueio naval imposto pelos EUA aos navios com escala em portos iranianos, que classificou como um “crime de guerra” e uma “conspiração do inimigo”. Ele reiterou ainda a desconfiança de Teerã em relação a Washington. Segundo ele, o caminho para alcançar os objetivos do país passa por uma combinação entre princípios revolucionários e ação diplomática. “Não vamos apenas lutar nem apenas negociar; em vez disso, vamos lutar no momento que considerarmos adequado e negociar no momento que considerarmos adequado”, disse Ghalibaf, que é presidente do Parlamento iraniano. Ele acrescentou que essa estratégia permite ao país combinar pressão e diplomacia de forma complementar. “Nosso objetivo é o fim da guerra e uma segurança estável, e não confiamos na parte adversária.” O dirigente iraniano rejeitou a ideia de que haja divergências entre as autoridades do país sobre a condução da crise. De acordo com ele, existe “completa coordenação” entre os setores político, militar, diplomático e de mobilização popular para alcançar os objetivos nacionais. “As Forças Armadas estão sempre prontas para agir e atuam com base em planejamento adequado e em decisões aprovadas”, afirmou. Segundo Ghalibaf, a diplomacia não deve ser vista como um obstáculo às operações militares, assim como as operações militares não impedem os esforços diplomáticos. Irã e Israel afirmaram nesta segunda que interromperam os ataques mútuos após um apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para que os dois lados “parassem imediatamente de atirar”. Teerã, porém, advertiu que retomará os ataques caso Israel continue atingindo o Hezbollah no Líbano. A onda de ataques nas últimas 24 horas marcou o confronto mais direto entre Irã e Israel desde o cessar-fogo de 8 abril e ameaçou comprometer os esforços de Washington para alcançar um acordo com Teerã que encerre a guerra de mais de três meses entre os dois países. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou nesta segunda-feira (8) a suspensão de ataques no Oriente Médio por parte de Israel, mas advertiu que a guerra contra o Irã e o grupo Hezbollah, do Líbano, “ainda não terminou”. Ele também ameaçou responder “com força” caso Teerã volte a lançar ataques contra o seu país.
Irã ameaça retomar ataques e diz que bloqueio naval dos EUA será derrotado
Foi o primeiro comentário público de Mohammad Bagher Ghalibaf depois da nova escalada de tensão no conflito, com ataques mútuos entre Israel e Irã














