Em meio à escalada de ameaças dos Estados Unidos, o presidente do Parlamento do Irã e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou nesta quinta-feira (11) que os “decisões impulsivas” dos EUA podem criar um conflito que vai durar anos. “Estratégias equivocadas e decisões impulsivas vão reiniciar todo o cenário para pior, explodir a infraestrutura energética e os mercados, e criar um atoleiro interminável do qual você não conseguirá sair por anos. Você verá um Irã diferente”, escreveu Ghalibaf no X. A declaração é uma reposta aparente ao presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou tomar a ilha de Kharg, importante terminal de transbordo e armazenamento de petróleo do Irã, e outras infraestruturas petrolíferas iranianas, após lançar ataques contra o país for dois dias consecutivos. “Em algum momento num futuro não muito distante, assumiremos o controle da Ilha de Kharg e de outras infraestruturas petrolíferas, passando a controlar totalmente os mercados de petróleo e gás do Irã, da mesma forma que fizemos com a Venezuela — algo que tem funcionado de maneira brilhante tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos da América”, escreveu o líder na plataforma Truth Social. Trump também voltou a prometer novos ataques contra o Irã na noite desta quinta, como tem feito repetidamente nos últimos dias. Pouco depois, em entrevista à Fox News, Trump confirmou que gostaria de assumir o controle da Ilha de Kharg, principal centro da infraestrutura petrolífera do Irã, mas disse não saber se os americanos apoiariam uma escalada mais ampla do conflito. A guerra iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro causou o maior choque energético mundial desde os anos 1970, ao prejudicar a navegação pelo Estreito de Ormuz, local por onde passavam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural, provenientes dos países do Golfo Pérsico. O Irã afirma que controla o estreito, enquanto os EUA impõem um bloqueio naval a embarcações com escala no Irã e também vêm escoltando navios pelo estreito usando uma rota mais próxima a Omã.