A poucos metros do movimento da avenida Paulista, no coração do Bexiga, uma casa antiga na Bela Vista serve de palco para a Vila dos Azarados. No texto de Luigi Pirandello, o lugar é uma espécie de refúgio para figuras que decidiram viver à margem da sociedade e de suas necessidades pragmáticas. É nesse cenário que estreou, no dia 5 de junho, no espaço Zona Franca, a nova montagem de "Os Gigantes da Montanha", com direção de Kiko Marques. A peça propõe uma experiência próxima para apenas 30 espectadores por sessão.
Pirandello dedicou oito anos à escrita deste texto, mas morreu em 1936 deixando concluídos apenas os dois primeiros atos. O desfecho da história chegou ao público por meio de um relato feito por seu filho, a quem o dramaturgo contou, no leito de morte, que havia encontrado a solução para o final, embora não tenha tido tempo de escrevê-lo. Na encenação atual, a incompletude da obra é usada como o ponto de partida para discutir os limites entre o desejo de criação e as forças que tentam silenciá-lo.
Obra inacabada do dramaturgo italiano Luigi Pirandello ganha montagem dirigida por Kiko Marques - Raiane Souza/Divulgação
Para Kiko Marques, que encena o texto pela quarta vez, a peça é um trabalho em constante transformação. "Retorno a esse texto como quem retorna a uma pergunta sem resposta", explica o diretor, apontando que "a cada nova aproximação ele se transforma —ou me transforma propondo outros caminhos de leitura".












