Costumamos olhar para florestas como um instrumento natural para combater a mudança climática. Mas, ao fazer isso, viramos as costas para o maior regulador climático do planeta: o oceano, que absorve cerca de 30% do dióxido de carbono jogado na atmosfera pelas atividades humanas.
É o chamado carbono azul, armazenado pela biodiversidade dos ecossistemas marinhos. E não apenas aqueles submersos —algo especialmente importante para países com grandes territórios costeiros, como é o caso da Austrália, do Brasil e das muitas nações insulares do Caribe e dos oceanos Pacífico e Índico.
Na cidade litorânea de Perth, capital e maior cidade do estado da Austrália Ocidental, o ecólogo marinho Mat Vanderklift dedica sua carreira a encontrar soluções baseadas no oceano para problemas como a crise do clima e a insegurança alimentar.
Ele afirma que um dos principais benefícios das iniciativas de carbono azul é o seu aspecto multifacetado, ajudando a lidar com vários problemas ao mesmo tempo.
"A proteção de manguezais e pradarias marinhas pode abordar mitigação e adaptação às mudanças climáticas, segurança alimentar, proteção da biodiversidade e muito mais", diz o pesquisador, que chefia o Centro de Carbono Azul da CSIRO (Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth, na sigla em inglês) e o Centro de Pesquisa Marinha do Oceano Índico.
