Para Proust, foi uma Madeleine. O pequeno doce embebido em chá levou o autor às memórias de dias felizes e a sete livros sobre a passagem do tempo que se tornaram clássicos universais.
Para a família Belvedere, é o tiramissu. Em O Filho da Noiva — longa que celebra 25 anos de seu lançamento —, o doce italiano está ali no centro da narrativa. Descendentes de imigrantes, os Belvedere mantêm um restaurante em Buenos Aires sob a direção da segunda geração: Rafael, interpretado por Ricardo Darín.
Um homem de meia-idade, divorciado, pai de uma filha, Rafael está à beira do colapso físico e financeiro. Falta dinheiro, sobram contas. Discute com funcionários, pensa em pedir propina a servidores, negocia prazos com fornecedores, mas não perde às vezes o humor. Quando fala com o vendedor de vinhos, pede ainda meia dúzia de caixas de vinhos brancos “porque tem cliente que não entende nada”.
O clima econômico da Argentina não é dos melhores, mas isso não é novidade, diz Rafael ao homem de negócios que faz uma proposta para comprar o restaurante familiar. “A Argentina tem momentos de recessão, de hiperinflação, de Fundo Monetário Internacional e alguns em que tudo se coincide”, diz (vinte e cinco anos depois, o roteiro pouco mudou).












