O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Kassio Nunes Marques tem priorizado a pauta indígena em sua gestão, o que surpreendeu alguns envolvidos nas discussões, já que ele foi indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal) por Jair Bolsonaro (PL), em cuja gestão nenhuma terra indígena foi demarcada.

Kassio tem abordado o tema com frequência em reuniões com integrantes da Justiça Eleitoral. Ainda como vice-presidente do TSE, o ministro foi o responsável pela elaboração das resoluções que garantiram, por exemplo, a criação de uma cota de financiamento para candidatos que integram povos originários. O magistrado assumiu a chefia da Justiça eleitoral em 12 de maio.

Pessoas ligadas ao magistrado dizem que ele está especialmente preocupado em garantir que indígenas possam votar tendo acesso a informação íntegra sobre o processo e transporte livre de influência política.

O presidente tem dito a interlocutores que pretende rever a participação dos prefeitos na gestão do transporte, passando a responsabilidade para os tribunais eleitorais de cada estado. Sua avaliação é que, como as prefeituras conduzem o transporte desses eleitores no dia da votação, os chefes dos Executivos locais muitas vezes aproveitam para pedir votos aos seus candidatos. A prática de boca de urna é proibida.