Quem já precisou interromper uma viagem por causa de um imprevisto conhece a sensação. Você sai de casa com um roteiro definido, reservas feitas e um destino claro. No meio do caminho, porém, surge um problema inesperado. O orçamento aperta, os custos aumentam e aquilo que parecia uma jornada tranquila precisa ser encurtado. Não porque você queira voltar, mas porque as circunstâncias mudaram.

O mercado financeiro parece estar dizendo exatamente isso ao Banco Central brasileiro.

Ainda faltam quase duas semanas para a próxima reunião do Copom, mas os preços negociados diariamente já carregam uma mensagem bastante clara: os investidores acreditam que a viagem rumo a juros mais baixos será muito mais curta do que se imaginava no início do ano.

A mudança de expectativa foi impressionante. Em fevereiro, o mercado projetava que a taxa básica de juros terminaria este ano próxima de 12% ao ano. Era um cenário que pressupunha inflação em desaceleração, ambiente externo relativamente favorável e espaço para que o Banco Central pudesse iniciar um ciclo de flexibilização monetária.

Poucos meses depois, essa visão praticamente desapareceu.