Além de ampliar lista de exceções, país pode diversificar exportações para China e, sobretudo, Europa Contêineres no Porto de Santos (SP) — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP/17/07/2025 Não há como menosprezar o impacto da investida tarifária disparada pelos Estados Unidos na direção do Brasil. Se vingarem as duas ondas — a primeira derivada de uma investigação específica de práticas comerciais brasileiras, a segunda com base em acusações de uso de trabalho forçado dirigidas a 60 países —, produtos brasileiros serão submetidos a taxas de até 37,5% para entrar no mercado americano. Mas também não se deve menosprezar a capacidade de adaptação da economia brasileira para mitigar os efeitos dessas medidas. Há duas vias de escape às tarifas, e ambas vêm sendo desbravadas. A primeira via é a lista de exceções aberta pelo próprio governo americano na investigação que recomenda as tarifas, incluindo commodities como carne e café, além de dezenas de outros produtos que interessa aos Estados Unidos continuar comprando do Brasil — na prática, as tarifas mais elevadas recaem sobre algo como um quinto das exportações brasileiras, a maioria industriais. Enquanto essa lista não estiver fechada, os negociadores do Itamaraty e grupos empresariais farão todo tipo de pressão para ampliá-la. Os americanos já se disseram abertos e poderão ceder em vários mercados. A segunda via de escape é a mais relevante. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que, se os Estados Unidos não quiserem comprar do Brasil, venderemos para outros países. Na prática, é o que já vem acontecendo. Enquanto as exportações para os americanos caíram 16% no ano passado (de R$ 16,6 bilhões para R$ 14 bilhões), as vendas aos chineses cresceram 22% (de R$ 37,9 bilhões para R$ 46,2 bilhões). A participação chinesa no total de importações de produtos brasileiros cresceu de 28% para 31%, enquanto a americana caiu de 12% para 9%. Já diminuiu, portanto, a importância do mercado americano para os exportadores brasileiros. A maior oportunidade de diversificação parece estar não apenas na China, mas sobretudo na União Europeia (UE), cuja participação nas compras do Brasil caiu de 15% para 14,7%, embora em valor elas tenham subido, de R$ 20,4 bilhões para R$ 21,8 bilhões. Com o distanciamento dos Estados Unidos da Europa, abalando a aliança atlântica, surgiu uma oportunidade de aproximação com o Brasil. Ela ganha força com o acordo comercial Mercosul-UE, que entrou em vigor no início de maio, mesmo parcialmente. Os benefícios para a economia brasileira serão enormes. Além de ampliar o mercado de exportação, o tratado beneficia o país ao expor setores industriais e de serviços à competição externa. Uma vez consolidado, o bloco comercial reunirá 720 milhões de habitantes, pouco mais que o dobro da população americana, com PIB conjunto de US$ 22 trilhões, menor que o americano e pouco maior que o da China. No período de 27 anos em que o acordo foi negociado, a agropecuária brasileira deu um salto, a ponto de passar a ser temida pelo setor agrícola europeu. Da mesma forma, setores industriais e de serviços no Mercosul temem empresas europeias. Ambos os lados ganharão com a competição mútua. O Brasil precisa aproveitar para se modernizar e extirpar bolsões de ineficiência que persistem na economia. Se o mercado americano se fecha, o europeu se abre, e o chinês continuará ávido por produtos brasileiros. Não há, portanto, nenhum motivo para pânico com as tarifas americanas.
Há saídas para Brasil enfrentar tarifas americanas
Além de ampliar lista de exceções, país pode diversificar exportações para China e, sobretudo, Europa












