A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou esta sexta-feira um plano conjunto de resposta ao ébola no valor de 518 milhões de dólares (cerca de 449 milhões de euros) para os próximos seis meses, com o objectivo de travar a propagação da doença na República Democrática do Congo (RD Congo) e no Uganda, segundo a Reuters. Os casos na RD Congo aumentaram para 452 e as mortes para 82.A estratégia, desenvolvida em parceria com os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), inclui medidas de contenção dos surtos em curso nos dois países e acções de preparação nos Estados vizinhos, nomeadamente através do reforço ao nível do controlo nas fronteiras."O surto está a avançar rapidamente e continuamos a tentar recuperar terreno", alertou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado pela Reuters, que defendeu a necessidade de financiamento estável, compromisso político e envolvimento das comunidades afectadas.A resposta sanitária tem enfrentado vários obstáculos. Segundo a agência noticiosa britânica, os testes habitualmente usados para detectar o vírus revelam dificuldades em identificar a variante Bundibugyo, enquanto os resultados laboratoriais continuam a sofrer atrasos de vários dias. A Africa CDC já tinha classificado a situação como particularmente preocupante por não existir actualmente tratamento nem vacina aprovados para esta variante.As autoridades de saúde têm também enfrentado resistência de algumas comunidades, tendo sido registados ataques a equipas responsáveis por enterros e centros de tratamento. Perante os riscos de segurança, a missão de manutenção de paz das Nações Unidas na RD Congo disponibilizou três veículos blindados para apoiar as operações.Dados divulgados esta sexta-feira pelo Governo da RD Congo indicam que o número de casos confirmados aumentou para 452, depois de terem sido registados mais 71 casos nas últimas 24 horas, segundo a Reuters. O balanço oficial aponta ainda para 82 mortes associadas à doença. A Reuters adiantou ainda que 34 profissionais de saúde foram infectados desde o início do surto. Destes, sete morreram e seis recuperaram.No Uganda, o Ministério da Saúde confirmou três novos casos de ébola, elevando para 19 o total de infecções registadas no país, segundo a Reuters. As novas infecções correspondem a pessoas que estavam em quarentena por terem tido contacto com casos confirmados. As autoridades ugandesas anunciaram também mais uma morte, de um cidadão congolês, aumentando para dois o número total de vítimas mortais. Quatro doentes receberam alta após recuperação.Entretanto, os Emirados Árabes Unidos anunciaram a suspensão da emissão de novos vistos e a proibição de entrada de cidadãos provenientes da RD Congo, Uganda e Sudão do Sul a partir de sábado, avança a Lusa.De acordo com a agência noticiosa, citando a Autoridade Nacional de Gestão de Crises e Desastres dos Emirados, a medida abrange também passageiros em trânsito, excepto se tiverem permanecido mais de 21 dias fora daqueles países antes da chegada aos Emirados. A suspensão poderá ser prolongada, embora os voos de carga e os voos de trânsito internacional continuem a funcionar.
OMS lança plano de 518 milhões para travar surto de ébola, há 452 casos na RD Congo
A Organização Mundial da Saúde quer mobilizar mais financiamento e apoio político para conter o que já é o quarto maior surto de ébola alguma vez registado.
484 words~2 min read
