Contagem oficial da organização caiu de 906 diagnósticos suspeitos para 116, com outros 330 casos confirmados Trabalhadores da saúde em meio ao surto de Ebola na República Democrática do Congo. — Foto: Jospin Mwisha / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 11:44 OMS Reduz Casos Suspeitos de Ebola na RDC e Uganda para 116 A OMS reduziu significativamente os casos suspeitos de Ebola na República Democrática do Congo e Uganda, de 906 para 116, após descartar centenas de diagnósticos. Foram confirmados 330 casos, sendo 321 na RDC e 9 em Uganda. O surto, declarado em maio, ocorre em meio a conflitos na região de Ituri. A espécie Bundibugyo do vírus, sem vacinas disponíveis, se assemelha a outras doenças, dificultando a detecção precoce. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Organização Mundial da Saúde (OMS) reduziu drasticamente, nesta terça-feira, o número de casos suspeitos de Ebola no surto na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A contagem oficial da organização foi de 906 diagnósticos suspeitos, relatados na semana passada, para 116, com outros 330 casos confirmados. Entre os registros confirmados, 321 são na RDC, principal país afetado pelo surto, incluindo 48 mortes, enquanto Uganda registrou nove infectados e um óbito. Segundo explicou em coletiva de imprensa nesta terça-feira o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, centenas de casos suspeitos foram descartados após se constatar que os pacientes apresentavam outras doenças com sintomas iniciais semelhantes aos do Ebola ou febre não relacionada com o vírus. O porta-voz enfatizou que "qualquer pessoa detectada por meio de vigilância ou que procure um centro de saúde com sintomas que possam ser semelhantes aos do Ebola" é considerada um caso suspeito enquanto aguarda os resultados dos testes. O mais recente surto do vírus, cuja taxa de letalidade chega a metade dos casos, foi declarado em 15 de maio na província de Ituri, uma região assolada por conflitos no nordeste da RDC, país com mais de 100 milhões de habitantes e um dos mais pobres do mundo. No entanto, acredita-se que o vírus, que é transmitido por contato próximo e fluidos corporais e pode causar uma febre hemorrágica mortal, já estivesse se espalhando silenciosamente por semanas antes dessa data. Uma das razões é que as pessoas infectadas pela espécie Bundibugyo do Ebola, responsável pelo surto atual, apresentam inicialmente sintomas semelhantes aos da gripe, da malária ou da febre tifoide, o que pode atrasar sua detecção. Lindmeier disse aos jornalistas que, uma vez realizados os testes nas pessoas com suspeita de Ebola, “em muitos casos esses registros são descartados”. Ele afirmou, por exemplo, que houve “alguns casos de malária ou meningite, ou de outras doenças”: — Assim, naturalmente, eles saem da lista de casos suspeitos e deixam de aparecer nessa estatística. Segundo o porta-voz, já era esperado que o número de casos confirmados continuasse aumentando, enquanto o de casos suspeitos oscilasse. Os dados anteriores da OMS também incluíam 223 mortes suspeitas de terem sido causadas pelo vírus do ebola, mas as novas estatísticas já não contemplam essa categoria. Ebola se torna emergência de saúde internacional; Veja fotos 1 de 11 O centro de tratamento de Ebola, em Goma, estava abandonado desde o fim do surto de 2019. Trabalhadores restauram o espaço — Foto: Jospin Mwisha / AFP 2 de 11 Uma funcionária verifica a temperatura de uma antes de permitir seu acesso ao hospital em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 4 de 11 Cartaz com os números de contato de emergência para o Ebola fixado em uma tenda na passagem de fronteira de Busunga — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 5 de 11 Um soldado no antigo centro de tratamento de Ebola, em Goma, que estava abandonado desde o fim do surto em 2019 — Foto: Jospin Mwisha / AFP 6 de 11 Um agente sanitário higieniza as mãos de um motociclista pela fronteira entre Uganda e a República Democrática do Congo — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 7 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: Jospin Mwisha / AFP 8 de 11 Homem se prepara para entrar no Hospital Kyeshero, em um posto de controle para lavagem das mãos e aferição de temperatura para todos os visitantes — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 9 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 10 de 11 Um agente de saúde fronteiriço na passagem entre Uganda e a República Democrática do Congo, verifica a temperatura de um viajante — Foto: Badru KATUMBA / AFP X de 11 Publicidade 11 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: John WESSELS / AFP Surto da doença na África leva OMS a acionar nível máximo de emergência sanitária internacional Lindmeier sugeriu que esse número era incerto pois incluía “pessoas que morreram há muito tempo” e cujos restos mortais, em muitos casos, não podiam ser exumados para a realização de testes. O surto atual de Ebola foi decretado como uma emergência de saúde pública de importância internacional, estágio mais elevado de alerta da organização, no meio de maio. A OMS classifica o risco nacional como "muito alto", embora mantenha o risco global como "baixo". Esse já é o terceiro maior surto de Ebola registrado na história, e é também a terceira vez em que a OMS decreta emergência internacional por conta do vírus. Um diferencial, no entanto, é que a espécie do Ebola que circula nos países, chamada de Bundibugyo, é mais rara e não tem vacinas ou tratamentos disponíveis. Pesquisadores têm direcionado esforços para conseguir testar terapias em desenvolvimento durante o surto atual.